Hospitalização Domiciliária do CHTS é para estender ao Hospital de Amarante

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A Unidade de Hospitalização Domiciliária (UHD) do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS) tratou num ano 188 doentes, segundo dados oficiais. Administração do CHTS, espera “em breve expandir este serviço ao Hospital São Gonçalo, em Amarante.

A UHD com pouco mais de um ano de atividade no Hospital Padre Américo, em Penafiel, admitiu o seu primeiro doente a 5 de abril de 2019. Desde a entrada em funcionamento da unidade com uma lotação de cinco camas e 248 doentes tratados, a equipa efetuou já cerca de 58445 Km e 3243 visitas a doentes, das quais 1667 foram conjuntas, médico e enfermeiro, e 1576 realizadas só por enfermeiro.

O índice de satisfação dos doentes e familiares, que corresponde a 100% dos utilizadores do serviço, tem uma taxa de 84% de “muito satisfeitos”.

A UHD registou dois óbitos, “ambos espectáveis por se tratarem de doentes com situações clínicas terminais, cuja família, quando colocada a hipótese de retorno ao internamento hospitalar, manifestou a vontade de manter o familiar em casa, permitindo que estivessem todos juntos nesta fase”, justifica o Conselho de Administração do CHTS.

A equipa da UHD é constituída por seis enfermeiros e três médicos e conta com a colaboração dos Serviços Farmacêuticos, Nutrição e Serviço Social.

Carlos Alberto, presidente do Conselho de Administração, entusiasta confesso desta solução desde a primeira hora, e consciente do enorme potencial ainda por explorar, espera “ver concretizado em breve o anseio expresso desde sempre de expandir este serviço ao Hospital São Gonçalo, em Amarante, sendo que esta solução tem tido dificuldades na constituição de equipa por falta de recursos que se espera resolver nos próximos tempos”, disse.

O presidente do Conselho de Administração salienta a grande ajuda dada pela Irmandade dos Clérigos com a oferta de duas carrinhas para o efeito.

Em março de 2020, surgiu a necessidade de reorganização para fazer frente à pandemia provocada pela Covid-19, tendo de imediato a UHD respondido com o aumento da lotação para sete doentes.

O horário dos médicos e enfermeiros foram também alterados de forma a existir o menor contacto possível entre os membros da equipa, diminuindo o risco de infeção dos profissionais e, por conseguinte, permitir manter a UHD em funcionamento.

Neste período, comparativamente aos meses homólogos do ano passado, ou seja, abril, maio e junho, registou-se um aumento de 227% nos doentes tratados.

O primeiro ano de funcionamento da UHD “foi um ano de adaptação” para a comunidade, “alguns receios” causados pelo desconhecimento do modelo de funcionamento, “e para a equipa que teria que manter a qualidade de cuidados ao doente com o mesmo nível de eficiência e qualidade dos cuidados prestados em ambiente hospitalar”. Só no primeiro ano de funcionamento foram tratados 188 doentes.

Sobre as vantagens deste modelo, Lindora Pires, médica e coordenadora da UHD, considera que muita da população idosa, em internamento hospitalar, “está mais sujeita a um agravamento das comorbilidades e a infeções nosocomiais”. Assim, sustenta, “poder oferecer aos doentes e à família a diminuição destes riscos, com o tratamento adequado da sua patologia de base, acompanhado das pessoas de quem mais gostam e no conforto das suas casas, é, no meu entender, uma mais valia imensurável da Hospitalização domiciliária”, defende Lindora Pires.

Alternativa ao internamento convencional

A hospitalização domiciliária, enquanto modelo de prestação de cuidados em casa, afigura-se como uma alternativa ao internamento convencional, proporcionando assistência contínua e coordenada aos cidadãos que, requerendo admissão hospitalar para internamento, cumpram um conjunto de critérios clínicos, sociais e geográficos que permitem a sua hospitalização no domicílio, sob a responsabilidade dos profissionais de saúde que constituam uma Unidade de Hospitalização Domiciliária, com a concordância do cidadão e da família.

Genericamente, a hospitalização domiciliária servirá como uma alternativa ao internamento convencional, mas com assistência contínua, que permite reduzir complicações e infeções hospitalares, além de permitir gerir melhor as camas disponíveis para o tratamento de doentes agudos no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

António Orlando

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