Erro de planeamento do novo Hospital de Amarante acarreta risco de colapso do CHTS, alerta “pai” do Centro Hospitalar

Em artigo de opinião publicado no jornal Público, Jaime Neto, médico e ex-gestor hospitalar que esteve na base da criação do Centro Hospitalar do Vale do Sousa que à data juntou os hospitais de Penafiel e Paredes e que mais tarde resultou na construção do Hospital padre Américo, considera “não espanta que a exposição à anunciada tragédia pandémica, que já levou ao colapso grandes hospitais em todo o mundo, acarrete um tremendo risco de colapso do Centro Hospitalar Tâmega e Sousa”, composto pelos hospitais de Padre Américo, em Penafiel e S. Gonçalo, em Amarante.

O antigo gestor considera que “os habitantes” dos onze Municípios da Comunidade Intermunicipal Tâmega/Sousa e do Município de Paredes “estão injusta e negativamente discriminados, no que concerne às necessidades de cuidados hospitalares”.  

“Esta situação foi provocada por um clamoroso erro de planeamento aquando da construção do novo Hospital de Amarante. O seu programa funcional devia ter sido concebido para prestar às populações dos Municípios do Baixo Tâmega serviços idênticos aos prestados pelo Hospital Padre Américo aos Municípios do Vale do Sousa. Não foi o que se fez e a subsequente criação do CHTS deu no que se vê”.

O responsável, que foi também vice-presidente da câmara de Penafiel eleito pelo PSD, considera que “não bastam as pífias medidas anunciadas pela senhora ministra da Saúde aquando da sua visita ao Hospital Padre Américo e as convicções otimistas do presidente do Conselho de Administração. Impõe-se uma profunda e alargada reflexão sobre este magno problema, antes que uma eventual (muito provável) terceira vaga pandémica nos atinja”, refere.

Assim, Jaime Neto diz ser seu dever “apelar, desde já, a que o assunto seja tema de urgente análise em sede da Comunidade Intermunicipal Tâmega e Sousa, a qual representa, juntamente com o Município de Paredes, toda a população negativamente afetada por esta injustiça. Os responsáveis pela garantia da qualidade de vida dos munícipes que os elegeram representam 5% dos eleitores do País. Apelo a que se façam ouvir sem preconceitos bairristas, com independência e legitimidade, ultrapassando as querelas político-partidárias!…”, conclui.

No artigo, Jaime Neto sustenta a análise em números: o CHTS serve uma população de 519.769 habitantes, o que equivale a mais de metade (53,6%) da que é referida diretamente aos três grandes Centros Hospitalares do Grande Porto – a saber: CH Gaia/Espinho, CH Porto (H de Stº. António) e CH S. João – o que perfaz o total de 968.866 habitantes. Por outras palavras, o CHTS serve uma população muito superior (166%) à referida, em média, a cada um dos três grandes hospitais (Gaia, Stº. António e S. João).

Carlos Moura

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