Caminho de Torres: mais peregrinos no caminho e

TURISMO. Com o alívio das restrições no combate à pandemia da COVID-19, o Caminho de Torres, uma nova rota que une Salamanca a Santiago de Compostela, em Espanha, com passagem por antigas vias do interior de Portugal e do ocidente peninsular, tem visto o número de peregrinos a aumentar.

Caminho sob ramada de vinha. Ovelhinha, Amarante.

O Caminho de Torres tem cerca de 600 km e foi estruturado em 24 etapas que podem ser percorridas em 24 dias de caminhada. Junta localidades importantes para o imaginário medieval jacobeu como Lamego, Amarante, Guimarães, Braga ou Ponte de Lima. Este percurso foi alvo de um projeto de requalificação, que começou a ser desenvolvido, em 2017, pelas comunidades intermunicipais do Tâmega e Sousa, do Alto Minho, do Ave, do Cávado e do Douro, com a denominação “Valorização Cultural e Turística do Caminho de Santiago – Caminho de Torres”. O investimento global foi de cerca de 1 milhão de euros, cofinanciado pelo Programa Operacional Regional do Norte (Norte 2020), através do FEDER (Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional).

O Caminho de Torres encontra-se devidamente sinalizado desde Sernancelhe a Valença e dispõe de materiais de apoio, como guias, mapas, um site (www.caminhodetorres.pt) e uma aplicação móvel que podem ser uma excelente companhia para a peregrinação. 

CAMINHO DE TORRES

Troço de calçada romana. Caramos, Felgueiras
  • Diego de Torres Villarroel (1694-1770) esteve exilado em Portugal entre 1732 e 1734. Três anos depois, entre abril e setembro de 1737, foi em peregrinação a Santiago de Compostela, em cumprimento de uma promessa feita nos tempos do exílio português. O relato que escreveu daquela jornada é singular. Tem a forma de um longo poema erudito, por vezes de leitura difícil, no qual perpassa a dureza do trajeto e o desdém que sentiu pela maior parte dos lugares por onde passou. A memória negativa que guardou da sua peregrinação levou-o a considerá-la indevota e indigna, porque resultava de uma promessa que tinha de cumprir e não de um genuíno apelo do espírito de peregrino.

  • O itinerário seguido por Torres é conhecido a partir dos lugares onde pernoitou, ou acerca dos quais deixou memória escrita. Por estradas difíceis e mal pavimentadas, o poeta salientou a severidade do itinerário, a rudeza das gentes e a desolação da paisagem.

  • Mais de dois séculos e meio depois, Luís António Quintales transformou o relato de Torres num Caminho de Santiago adaptado às necessidades das peregrinações jacobeias atuais. Privilegiando vias que reforçam a relação com a natureza própria de cada região, respeitando valores patrimoniais e ecológicos locais, surgindo o Caminho de Torres.

  • O Caminho de Torres foi alvo de intervenção num projeto conjunto de várias Comunidades Intermunicipais (ver projeto), estando devidamente sinalizado desde Sernancelhe e dispondo de materiais de apoio, sejam guias, mapas, um site de suporte uma aplicação móvel que pode ser uma excelente companhia para a peregrinação.

António Orlando

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