Vídeo.Fábio Porchart, estrela da Porta dos Fundos, vai fazer de Saramago em “Viagem a Portugal”

CULTURA. Fábio Porchart, o conhecido ator da Porta dos Fundos, está a visitar alguns dos recantos do nosso País – que José Saramago percorreu para escrever “Viagem a Portugal” – no âmbito das gravações de uma série produzida pela RTP que vai estrear no próximo ano, data do centenário do nascimento do Nobel da Literatura. O humorista brasileiro vai fazer de José Saramago.

“Desde algumas aldeias até grandes cidades, o olhar do Saramago é o olhar que eu quero tentar passar para a série. Eu faço aquilo que Saramago fez e tento ver, 40 anos depois, aquilo que surgiu de novo. Um novo olhar sobre o olhar de Saramago”, explica Fábio Porchat, admitindo a ousadia. 

Admitindo a ousadia de, à sua maneira, vestir a pele de Saramago, Fábio Porchat considera que Apesar de o Mundo ter mudado, e Portugal não é exceção, as características das pessoas mantêm-se:, comunicativas, o que faz uma síntese da memória do tempo”, acrescenta o ator.

Um desses lugares (re)visitados é Amarante, terra que o Fábio Porchat visitou ontem, a anteceder cerimónia de apresentação da reedição de “Viagem a Portugal”, lançado pela Porto Editora que ontem decorreu no Centro Cultural de Amarante Amélia Laranjeira.  

Ali, em Amarante, o ator, por exemplo, foi confrontado com o doce fálico de S. Gonçalo por uma doceira da terra onde S. Gonçalo é o casamenteiro das encalhadas. “Foi uma surpresa, de quem é de fora, quando olhei para esta realidade que é usual para os locais”. Ou seja, foi a necessidade de ver o país de fora, que “obrigou” Saramago, ir para a Galiza antes de percorrer Portugal  de lés a lés. Ver de fora. Assim, se explica a contratação de um ator humorista, brasileiro para fazer de Saramago, em Portugal, numa série televisiva da RTP. “Fábio Porchat, bebe os mesmos ideais de Saramago, tem sentido de humor como Saramago, ´veste´ as botas de Saramago. Nós precisamos desse olhar, desse olhar de fora porque é um olhar carinhoso, entusiasmado, curioso. Nós precisamos disso”, justifica a escolha Ivan Dias, produtor da série.

No lançamento da reedição da “Viagem a Portugal”, obra datada da década de 80, do século passado, onde Saramago explica que “viajar não é fazer turismo”,  o retrato do Nobel ao nosso País, impõe-se como uma obra a reler face ao “momento de massificação do turismo. Esta é uma viagem profunda”, defende fonte da Porto Editora.

A nova edição do livro é melhorada com fotografias tiradas pela objetiva do escritor, ilustradas com anotações pessoais de Saramago. 

Quanto à série televisiva, estreará em setembro do próximo ano, de forma a que o último episódio vá para o ar no dia 16 de novembro, dia do dia de nascimento de José Saramago. Serão 100 anos. 

“Esta viagem a Portugal é, de certa forma,  uma viagem a José Saramago. Aí não há intermediários. É o que ele [Fábio Porchat] pensa, um brasileiro bem humorado de um homem sério [Saramago] mas também bem humorado”, disse Pilar Del Rio, presidente da Fundação José Saramago. A antiga companheira do Nobel diz-se “confortável” com a escolha de Fábio Porchat para fazer de Saramago. 

“Viagem a Portugal”- o livro

  • Entre outubro de 1979 e julho de 1980, José Saramago percorreu o país lés a lés a convite do Círculo de Leitores, que comemorava o décimo aniversário da sua implantação em Portugal. Disse o autor após essa deambulação, misto de crónica, narrativa e recordações, que “o fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite… É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos”.

António Orlando

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