Gastos das famílias no supermercado aumentaram 316 milhões de euros face a 2020

ECONOMIA: Despesas aumentaram 3.1%, face ao ano transato, perfazendo um total de 10,7 mil milhões de euros; APED afirma que inflação tem papel insignificante e o motivo é mesmo o aumento do consumo

Foram gastos mais 316 milhões do que em 2020, pelas famílias portuguesas no supermercado. Com este aumento de 3.1%, as despesas perfazem um total de 10,7 mil milhões de euros, divulgou a NielsenIQ, empresa que analisa o comportamento do consumidor.

Este crescimento é, para o diretor-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), fruto não da inflação, mas do aumento do consumo: “Este crescimento está assente no aumento das vendas líquidas. As pessoas estão a comprar mais”. Gonçalo Lobo Xavier sublinhou também que só em janeiro deste ano é que ocorreram as subidas de preços , de forma a compensar os aumentos dos custos de transporte , matéria-prima e energia. No entanto, a inflação “será o grande tema de 2022”: “Continuamos a fazer um enorme esforço para acomodar (esses aumentos de custos), para sermos eficientes, mas é impossível não os refletir no preço de venda ao público . Estamos a ter crescimentos de custos da ordem dos 25% a 30%, e quando assim é, a cadeia de valor é impactada”.

O crescimento deste ano surge num ano atípico, onde as pessoas estiveram em confinamento e os restaurantes fechados, levando as pessoas a aumentar os gastos no supermercado, especialmente nos bens de grande consumo, que cresceram 7.4% , para 10,340 mil milhões de euros. Nos dois anos da pandemia em Portugal, o crescimento acumulado foi de 1,185 mil milhões de euros.

As bebidas alcoólicas aumentaram cerca de 10% e as não alcoólicas 7%: “Com hotéis, restauração) cheios de restrições e limitações, claramente as pessoas passaram a reunir-se mais em casa e a comprar produtos mais caros”.

O destaque recai também sobre as ditas “marcas brancas”, que representam já 36.8% do total de gastos pelos portugueses em bens de grande consumo, ou seja, por cada 100 euros gastos, 36.8 são produtos de marca branca. A mercearia cresceu 4%, menos de metade do ano anterior, os congelados tiveram um acréscimo de 1%, a higiene pessoal teve um aumento de 2%.

40% da fatura dos portugueses era, globalmente, referente a artigos de mercearia e 16.7% a laticínios. Os congelados representam 7.7%, as bebidas alcoólicas 11.5%, as não alcoólicas 6.6%. 7.9% são referentes à higiene do lar e 10% da higiene pessoal.

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