Baião. Câmara quer novos artesãos para continuar a tradição das Bengalas da Gestaçô

CULTURA: Formação resulta de parceria entre Câmara de Baião, Centro de Formação Profissional do Artesanato e a Junta de Freguesia de Gestaçô, com o objetivo de formar novos artesãos e valorizar o artesanato

A arte centenária da produção das Bengalas de Gestaçô, elemento artesanal típico do concelho de Baião, vai ser ministrada em formação profissional a quem pretenda aprender o ofício.

O curso de formação, financiado, terá a duração de 200 horas repartidas por componentes práticas e teóricas que serão ministradas pelo Centro de Formação Profissional do Artesanato (CEARTE) na freguesia de Gestaçô em resultado de uma parceria estabelecida com a autarquia. 

As Bengalas de Gestaçô são, a par das Cestas de Frende, uma referência do artesanato do concelho de Baião e caracterizam-se por uma série de técnicas de produção com mais de 100 anos, que foram sendo passadas de geração em geração ao longo dos tempos. 

“O objetivo desta ação é formar novos artesãos e valorizar e divulgar este tipo de artesanato. É para nós muito importante que não se percam estas artes e saberes. A Câmara Municipal de Baião pretende realizar este trabalho tanto para as bengalas de Gestaçô como para as cestas de Frende”, refere Anabela Cardoso,  vereadora com os pelouros da Formação, Qualificação, Emprego e Cultura. 

“É importante valorizarmos as Bengalas de Gestaçô porque constituem um elemento artesanal de grande importância. Elas fazem parte da nossa história e da nossa tradição e são um grande motivo de orgulho para nós”, acrescenta António Bento, presidente da Junta de Gestaçô. 

Os interessados em frequentar a nova oferta formativa, desenhada especificamente pelo CEARTE, devem inscrever-se nos Gabinetes de Inserção Profissional (GIP), localizados nas vilas de Santa Marinha do Zêzere e de Baião. 

PRODUÇÃO

As bengalas surgiram em Gestaçô no final do século XIX, tendo sido a sua produção impulsionada por Alexandre Pinto Ribeiro, um artesão local, que acabou por abrir a sua oficina em 1902, impulsionando e revolucionando, à data,  todo o processo de fabrico.

A produção das bengalas de Gestaçô usa como matéria prima o pau/madeira de cerejeira.  A primeira fase de produção arranca com a preparação da madeira que é desfiada e posteriormente cozida durante cinco minutos num pote com água a ferver. Ultrapassada esta fase, a madeira é dobrada com ajuda de “formas” de ferro aquecidas.

Para que a bengala não quebre, no processo de dobragem, são usados arcos em metal. Depois de vergada, a bengala fica a arrefecer durante duas horas. Com o pau de cerejeira à temperatura ambiente, a madeira começa a ganhar design com a ajuda de ferramentas (incho, a plaina, lima e goivas) que irão moldar os diferentes feitios de cada bengala. Por último, a bengala é lixada, seguindo-se a pintura com acabamento a verniz. 

Mais tarde, o apuramento da técnica de dobragem permitiu aos artesãos uma maior qualidade das bengalas adornadas pela criatividade. Cabeças de animais, cerejeira polida, incrustações de madrepérola, prata e ouro, são alguns dos exemplos de design. 

As queimas das fitas académicas são o canal de escoamento da produção das bengalas de Gestaçô. A autarquia é outro cliente privilegiado que tem sempre uma bengala à mão para oferecer a quem visita o concelho, sobretudo a membros do governo. 

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