POLÍTICA. Não é a primeira vez que tal acontece, já tinha sido feito o mesmo aquando do célebre abatimento do piso Terreiro do Paço. Tal como agora, o Dinheiro para a ferrovia no Douro “encontrou” pelo caminho novos destinatários.

A modernização do troço Marco-Régua perdeu financiamento do Ferrovia 2020 e aguarda verbas do novo quadro comunitário. As verbas que estariam alocadas para a linha mais turística do país, foram desviadas para a Linha do Oeste, adianta o jornal Público.
“Com o objectivo de aumentar a comparticipação comunitária dos projectos do Ferrovia 2020 ao abrigo [programa comunitário] do FEDER, o montante inicialmente alocado ao troço Marco-Régua foi usado para reforçar o co-financiamento dos troços Caíde-Marco de Canaveses e Meleças-Caldas da Rainha”. A informação é da IP, que reconhece, assim, que a modernização da Linha do Douro até à Régua “será financiada pelas verbas do novo quadro 21-27, estando a IP a aguardar a aprovação das portarias de extensão de encargos plurianuais para lançar as empreitadas e prestações de serviços deste troço.”
Escreve o jornal Público
FILME JÁ VISTO
Não é a primeira vez que o dinheiro destinado à ferrovia do Douro se perde pelo caminho antes de chegar ao destino. Um dos exemplos ocorreu em 2001, aquando do célebre abatimento do piso no Terreiro do Paço provocado pelas obras no Metro de Lisboa, em 2001, era autarca lisboeta, João Soares. Na ocasião, o pacote financeiro que seria para eletrificar e duplicar a linha do Douro entre Caíde (Lousada) e Marco de Canaveses, foi, literalmente, tapar o buraco da capital. Assim o revelou, já mais tarde, o então autarca marcuense, Manuel Moreira. Duas décadas depois a eletrificação da linha do Douro está longe de chegar à Régua, para já quedou-se pelo Marco de Canaveses.
Nesta altura a Linha do Douro é a mais atrasada de todas as obras inscritas no programa “Ferrovia 2020”, o qual previa que os trabalhos tivessem tido início em Março de 2018, para ficarem concluídos em finais de 2019. Mas, seis anos depois do início daquele programa de investimentos, o troço Marco de Canaveses-Régua ainda nem tem concurso público lançado, o que significa que é impossível terminá-lo dentro do prazo do Ferrovia 2020 (que foi prolongado até 2023).
MINISTRO NÃO SABIA
Em setembro de 2020, o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, questionado em Baião, pelo TTV, admitia que o concurso para a eletrificação da linha do Douro entre o Marco de Canaveses e a Régua já teria sido lançado: “Não queria estar a cometer um erro, mas julgo que o projeto já foi lançado [concurso]. Se não foi, deve estar para ser lançado. Julgo que o projeto já estava finalizado para fazermos a eletrificação até à Régua e numa fase posterior até ao Pocinho”, explanou o ministro.
Quanto à reabertura da linha até Espanha, Pedro Nuno Santos dizia, na mesma ocasião: “o país tem de fazer esse debate para percebermos o que é que queremos fazer e a disponibilidade para a financiar” referiu. O governante assumiu “o potencial tremendo da linha do Douro que devemos aproveitar, mas não me interprete mal, não quero anunciar nada que não esteja consolidado”, atirou ao TTV.
A Associação Vale d”Ouro (ASCVD), não entende mais um contratempo numa linha considerada de importância estratégica para o país e refere que a situação começa a ter “contornos muito estranhos“. Sublinha a ASCVD que “a região merece mais respeito e o país merece uma explicação para tantos atrasos“.


