PRÉMIO. Pela primeira vez na história do concurso World Press Photo, a imagem vencedora não inclui qualquer figura humana. A fotografia é da canadiana Amber Bracken e retrata um memorial aos corpos de crianças desenterradas no Canadá.

A fotógrafa canadiana Amber Bracken venceu o prémio de Fotografia do Ano da World Press Photo, com uma imagem que, pela primeira vez na história do concurso, não inclui qualquer figura humana.
A imagem retratada é um memorial aos corpos de 215 crianças desenterradas em 2021 no Canadá que foram descobertos com a ajuda de um radar de penetração no solo.
De acordo com informação disponível no ‘site’ oficial da World Press Photo, “Escola Residencial Kamloops”, de Amber Bracken para o jornal norte-americano The New York Times, venceu o prémio de Foto do Ano. Mais de 4.100 crianças morreram enquanto frequentavam a A Escola Residencial Kamloops foi notícia onde eram frequentes os abusos físicos, as violações e casos de subnutrição. A escola foi encerrada em 1978.
“Pela primeira vez na história de 67 anos da World Press Photo, a Foto do ano é uma fotografia onde não aparecem pessoas”, destaca aquela instituição.
SABER MAIS:
- Em 1863 foi criado no Canadá um sistema escolar residencial indígena, escolas administrados por igrejas cristãs e para onde eram enviadas crianças, de forma a afastá-las da sua cultura. Os menores eram retirados à força às suas famílias, estimando-se que 150 mil crianças tenham passado pelo sistema. Muitas não voltaram às suas comunidades ou porque fugiram ou porque morreram nas escolas.
- A mais recente investigação sobre escolas residenciais, da Comissão de Verdade e Reconciliação, aponta para a morte de pelo menos 4.100 crianças dentro da rede — e que ficaram conhecidas como as Crianças Perdidas.
- Os corpos, alguns de crianças com apenas três anos de idade, foram descobertos com a ajuda de um radar de penetração no solo.
Além da Foto do Ano, foram também anunciados os vencedores das categorias de Reportagem do Ano – “Salvando florestas com fogo”, do australiano Matthew Abbott, para a National Geographic -, e Projeto de Longo Prazo – “Distopia Amazónica”, do brasileiro Lalo de Almeida para o jornal Folha de São Paulo, e “O sangue é uma semente”, da equatoriana Isadora Romero.


