Parlamento “reabriu” as portas ao conselheiro António Cândido

EFEMÉRIDE. Programa da Evocação do Conselheiro António Cândido foi apresentado na Assembleia da República. Luís Leite Ramos, ex-deputado e professor universitário, é o Coordenador da Comissão Organizadora e Comissário desta Evocação

Programa da Evocação do Conselheiro António Cândido apresentado na Assembleia da República. Luís Leite Ramos, é o Comissário das celebrações
Programa da Evocação do Conselheiro António Cândido foi apresentado na Assembleia da República

António Cândido, a ‘Águia do Marão’, vai ser homenageado pela Câmara Municipal de Amarante e Centro de Estudos Amarantinos, cujo programa arrancará a 24 de outubro, data da morte do “parlamentar” amarantino. Além de evocar o ilustre parlamentar as celebrações pretendem também “divulgar a obra do homem e político notável da segunda metade do século XIX e que a historiografia nacional parece ter esquecido”, explica fonte municipal.

A sessão inaugural da homenagem irá decorrer em Candemil e será presidida pelo Presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva. A sessão solene terá como orador convidado Guilherme Oliveira Martins, da Academia das Ciências de Lisboa. A sessão de encerramento decorrerá um ano depois, a 24 de outubro de 2023, em Candemil e Amarante, e será presidida pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

O programa incluirá uma Conferência (balanço) sobre o legado político de António Cândido, um encontro de jovens e a entrega do Prémio Escolar “Águia do Marão”, a sessão solene e um espetáculo teatral e musical.

Ao longo do ano vai realizar-se o Ciclo de Conferências “António Cândido, o homem e o enigma que o homem representa”, temáticas e descentralizadas, com o intuito de evocar e reavivar a obra e o legado de António Cândido nas suas múltiplas facetas e dimensões – humana, académica, política e intelectual – mas também, e sobretudo, de a contextualizar nas suas raízes históricas e deles retirar todos os ensinamentos que, mais de um século depois, permanecem justos e intemporais.

Serão ainda reeditados livros de e sobre António Cândido.

O presidente da Câmara Municipal de Amarante, José Luís Gaspar, esteve presente na apresentação que decorreu na Assembleia da República, e que contou ainda com a presença Adão Silva, vice-presidente da Assembleia da República; Carlos Adérito, em representação da Procuradoria Geral da República; Luís Leite Ramos, Coordenador e Comissário da Evocação; José Luís Cardoso, da Academia das Ciências; João Nuno Calvão, da Universidade de Coimbra; e Pedro Barros, do Centro de Estudos Amarantinos.

“Evocar o nome e a personalidade de António Cândido neste local – a casa da democracia – é, para mim, um ato de grande honra. Insigne parlamentar, político e pensador português, nascido em Amarante e desaparecido há 100 anos, é, nas palavras do Professor Pedro Tavares de Almeida, um marco na fundação da Ciência Política em Portugal. Académico brilhante e político de grande envergadura, a sua mestria e acutilância valeram-lhe o apelido de ‘águia do Marão’, e a atualidade do seu pensamento, não deixa de nos surpreender, pelas ideias que estão, ainda hoje, na ordem do dia. Mas, simultaneamente, foi um homem circunscrito à sua realidade e, portanto, volvidos cem anos na História – uma História que todos conhecemos e que em tantos episódios, não queremos que se repita – temos a obrigação, enquanto políticos, de nos elevarmo-nos a essa mesma história.

José Luís Gaspar, presidente da Câmara Municipal de Amarante


Além da Câmara Municipal de Amarante e do Centro de Estudos Amarantinos, a organização das celebrações contam com a participação da Assembleia da República, Academia das Ciências, Procuradoria Geral da República e a Universidade de Coimbra, e com a parceria do município do Porto, da Santa Casa da Misericórdia de Amarante e do Ateneu Comercial do Porto .

PERFIL

  • António Cândido Ribeiro da Costa nasceu em Fridão, no concelho de Amarante, a 29 de Março de 1850 e faleceu em Candemil, no mesmo concelho, a 24 de Outubro de 1922. Ficou conhecido pelo nome próprio e sobrenome, e ainda pelo cognome ‘Águia do Marão’, que lhe terá sido atribuído por Camilo Castelo Branco.
  • Cursou Teologia no Seminário Conciliar de S. Pedro de Braga (1867-1870) e foi ordenado presbítero, em 1871, tendo-se licenciado pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra em 1877, onde prestou provas de doutoramento no ano seguinte e foi lente substituto em 1881 e lente catedrático uma década depois.
  • Desempenhou os principais cargos institucionais: deputado, par do Reino, ministro, conselheiro de Estado e procurador-geral da Coroa e Fazenda. Foi membro do Instituto de Coimbra, vice-presidente da Academia Real das Ciências, e recebeu, como distinções honoríficas, a grã-cruz da Ordem de São Tiago do Merecimento Científico, Literário e Artístico e as insígnias da Ordem de Carlos III de Espanha.
    Em 1987, a Associação Cultural Águia do Marão e a Câmara Municipal de Amarante, em parceria com outras entidades locais e nacionais, prestaram-lhe homenagem pública com um Programa intitulado “António Cândido – Echos de Uma Voz Quási Exctinta” e que contemplou, entre outras iniciativas, um ciclo de conferências e uma exposição bibliográfica e iconográfica.
  • Personalidade singular de oratória brilhante e temido, é considerado um património ético e político de um empenhado militante progressista e o legado de um intelectual dos “Vencidos da Vida” comprometido com as causas do seu tempo.

António Orlando

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