Automotoras da Linha do Tâmega resgatadas para o Vouguinha

TRANSPORTES.  As duas últimas automotoras que em tempos asseguraram o transporte ferroviário na Linha do Tâmega, entre as estações da Livração e Amarante foram, esta terça-feira, levadas para as oficinas da CP em Guifões, Matosinhos. Mais tarde deverão seguir para a linha do Vouga.

As composições de bitola métrica, vulgo, linha estreita, estavam guardadas num armazém da CP, na Livração, Marco de Canaveses, desde o encerramento da linha do Tâmega, na primavera de 2009. Sete anos mais tarde, em 2016, a ferroviária portuguesa tentou vender as automotoras ao Peru, mas o negócio destas duas foi abortado por pressão da Comissão de Utentes da Linha do Douro e da câmara do Marco que se opuseram ao negócio. Outras mais velhas foram mesmo vendidas a aquele país da América Latina.

As automotoras foram agora levadas para as oficinas de Guifões onde irão ganhar nova vida. Tudo indica que, após a recuperação, o seu destino seja a linha do Vouga, igualmente de bitola métrica, apurou o JN. 

Na hora da partida, Bruno Magalhães, vice-presidente da Câmara do Marco de Canaveses, disse esperar que “este equipamento [automotoras], renovado ou outro, volte a circular na Linha do Tâmega”, sublinhando que esse é “o compromisso que temos com a nossa população”, lembrou, via rede social,  o vereador marcuense ao deputado do PS, José Carlos Barbosa. 

A acontecer a reabertura da linha do Tâmega, será em linha de bitola ibérica. Assim tem sido dito e defendido publicamente por José Luís Gaspar (PSD), presidente da Câmara de Amarante, que tem reiterado estar em negociações com as entidades competentes nesse sentido. Nas hostes socialistas da região, pelo que o JN apurou, os defensores da nova linha do Vale do Sousa cuja proposta inicial previa um novo traçado entre Valongo e Felgueiras, “querem”, agora, que a linha do Tâmega seja reativada em bitola ibérica para o fecho do anel da nova linha que assim desembocava na linha do Douro (Livração). Posição defendida, aliás, por responsáveis da Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa.

A linha do Tâmega , recorde-se, foi desativada em 2009 por ordem de Ana Paula Vitorino, a então secretária de Estado dos Transportes do governo de José Sócrates. Mais tarde, em 2011, o governo de Passos Coelho ordenou o encerramento da linha, já os carris tinham sido levantados pela empresa de Manuel Godinho, arguido condenado no processo Face Oculta.

Imagem de arquivo que retrata a automotora em serviço de ligação da linha do Douro, na livração, com Amarante na linha do Tâmega

Numa ação de campanha eleitoral do PS para as autárquicas em Vila Caíz, Amarante, em setembro de 2021, Manuel Pizarro, presidente da Federação do PS/Porto dizia ao JN: “Entre as verbas do Plano de Recuperação e Resiliência [PRR] e as verbas do Novo Quadro Comunitário é possível, imperioso, e prioritário encontrar formas de financiamento para que o Estado pague uma dívida a esta população do Marco de Canaveses e de Amarante com a reativação da linha. É um investimento relativamente curto para as necessidades a que dará resposta. É um compromisso que assumo enquanto dirigente do PS: nós vamos transformar esta luta numa das prioridades da nossa ação política no distrito do Porto”.

António Orlando

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