Marcado duplo funeral de pai e filho que morreram num poço em Soalhães

ÓBITUÁRIO. Os corpos de José Pereira  Pinto, 63 anos, e de Armando Filipe Pinto, de 41 anos encontrar-se-ão em câmara ardente na Capela de Mortuária de Soalhães a partir das 20 horas desta sexta-feira.

Vitimas, José Pereira  Pinto, 63 anos, pai, e Armando Filipe Pinto, de 41 anos, filho

O duplo funeral está marcado para este sábado ás 14.30 horas na Igreja de Soalhães/Capela Mortuária. Findas as cerimónias fúnebres os corpos de pai e filho serão sepultados no cemitério da freguesia.

Os dois homens morreram ontem, vítimas de inalação de gases, no fundo de um poço, em Oliveira, Soalhães, no concelho do Marco de Canaveses. O alerta foi dado pelas 10.55 horas por um rapaz de 14 anos, neto e filho das vítimas. José Pereira  Pinto, 63 anos, era funcionário da Câmara do Marco, na unidade de proteção civil de Soalhães, e Armando Filipe Pinto, de 41 anos, funcionário na empresa Águas do Marco. Os óbitos foram declarados no local pela equipa do INEM. Ao final do dia, Câmara Municipal e Junta de Freguesia de Soalhães emitiram notas de condolências à família duplamente enlutada.

Local da tragédia

Para retirar as vítimas do fundo do poço, os bombeiros tiveram de recorrer à técnica de regaste de grande ângulo habitualmente usada em locais de difícil acesso, aliás, como era o caso”, explicou ao TTV, Sérgio Silva, comandante dos Bombeiros Voluntários do Marco de Canaveses

Segundo o responsável, o nível da água no fundo do poço era “residual, a ponto de apenas ter ligeiramente molhado as botas” do voluntário que foi ao encontro das vítimas.

A notícia da tragédia chegou à aldeia através dos pedidos de socorro do jovem, filho de Armando Filipe Pinto. Solicitada ajuda ao 112, o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do Porto acionou bombeiros de Marco de Canaveses (com 15 homens apoiados por cinco viaturas), INEM e a Guarda Nacional Republicana.

O rapaz acompanhava o avô e o pai,  num local ermo do lugar de Oliveira, onde a família neste verão “abriu” um poço com cerca de 10 metros para abastecer as habitações da família Pinto. 

Familiares tiveram apoio psicológico do INEM

Os homens pretendiam restabelecer o abastecimento de água que abruptamente havia sido interrompido – julgavam – “por causa da entrada de ar na canalização” que estaria a impedir a retirada da água por efeito Venturi (sistema de sucção de água sem motor). 

A tarefa implicou a descida de Filipe Pinto ao fundo do poço, através de duas escadas de madeira (uma amarrada à outra para a tornar mais comprida de modo a vencer a dezena de metros do poço). “Minutos depois acabaria por perder os sentidos”, contou ao TTV, Serafim Pinheiro, vizinho das vítimas. 

Apercebendo-se que o filho estaria em apuros, José Pinto “entrou de imediato no poço, ainda tentou fugir [subir] mas acabaria por cair, também de morto, em cima do filho”, acrescentou, o vizinho de olhos marejados.  

António Orlando

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