CIM do Tâmega e Sousa debateu intergeracionalidade da violência doméstica

CRIME. Subordinado ao tema “Como (inter)romper ciclos de violência”, em debate esteve este fenómeno social e a reprodução e repercussão que o mesmo tem na sociedade em geral, mas sobretudo nas crianças e jovens.

O Auditório do Instituto Empresarial do Tâmega, em Amarante recebeu nesta terça-feira, 23 de novembro, o II Seminário da Unidas – Rede Intermunicipal de Apoio à Vítima do Douro, Tâmega e Sousa, uma rede constituída por 11 estruturas de atendimento a vítimas de violência doméstica e que é coordenada pela Comunidade Intermunicipal (CIM) do Tâmega e Sousa.

As 11 estruturas de atendimento, uma por cada município da região do Douro, Tâmega e Sousa, que estão em funcionamento deste abril do ano passado, prestam um serviço especializado, confidencial e gratuito a vítimas de violência doméstica, assegurando-lhes apoio social, psicológico e jurídico. Além destes apoios, estas estruturas disponibilizam também, desde fevereiro deste ano, uma resposta especializada de apoio psicológico para crianças e jovens vítimas de violência, um mecanismo que é também um importante contributo na interrupção dos ciclos de violência.

De abril de 2021 a setembro de 2022, foram 1079 as vítimas acompanhadas pela Unidas, 95 delas crianças e jovens. No mesmo período, a Unidas realizou um total de 6693 atendimentos a vítimas de violência doméstica, dos quais 582 foram crianças e jovens.

Além deste apoio às vítimas, a Unidas faz ainda a articulação com as restantes estruturas e respostas da Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica, tendo em vista uma maior proximidade e eficácia da intervenção.

Tendo como foco uma reflexão alargada sobre os ciclos de violência doméstica, no seminário, que reuniu mais de uma dezena de especialistas académicos e institucionais ligados à temática, foram abordados mecanismos que poderão contribuir para quebrar a intergeracionalidade da violência e apresentados exemplos de boas práticas e projetos que podem contribuir para o bem-estar das crianças e dos jovens.

 Na sua intervenção no seminário, o Primeiro-Secretário da CIM do Tâmega e Sousa, Telmo Pinto, destacou o pioneirismo do trabalho em rede desenvolvido pela Unidas, que foi a primeira rede intermunicipal a ser constituída no nosso país, bem como a confiança que esta tem gerado junto das vítimas que apoia:

“Unidos conseguimos responder melhor às oportunidades e debilidades do nosso território. Por isso, é neste trabalho em rede que podemos ser mais competentes na nossa ação. O aumento dos números é o resultado de um trabalho de proximidade, competente e de confiança que a nossa rede tem construído”.

Telmo Pinto, primeiro-secretário da CIM do Tâmega e Sousa

O Presidente da Câmara Municipal de Amarante, José Luís Gaspar, que presidiu à sessão de abertura do seminário, sublinhou a importância da realização deste género de iniciativas:

“Precisamos de abordar os temas, capacitar os técnicos, alertar as entidades que possam ter uma evolução favorável no sentido de dar confiança à vítima, de que esta pode acreditar no sistema”.

José Luís Gaspar, presidente da Câmara Municipal de Amarante

Manuel Albano, Vice-Presidente da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG), organismo da administração pública que tem como missão garantir a execução das políticas públicas no âmbito da cidadania e da promoção e defesa da igualdade de género, classificou a violência doméstica como “a verdadeira pandemia do século XXI”, cujos números é necessário desmitificar:

“Hoje em dia, temos 95% do território nacional continental coberto com respostas de apoio às vítimas de violência doméstica, o que demonstra o aumento dos números. Mas não temos muito mais vítimas. Temos é mais vítimas que desocultam aquilo que sofrem, porque, efetivamente, sentem segurança”.

Manuel Albano, Vice-Presidente da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género


O II Seminário da Unidas – Rede Intermunicipal de Apoio à Vítima do Douro, Tâmega e Sousa foi promovido pela CIM do Tâmega e Sousa, em articulação com o Município de Amarante, sendo cofinanciado pelo POISE – Programa Operacional Inclusão Social e Emprego, Portugal 2020 e União Europeia, através do FSE – Fundo Social Europeu.

António Orlando

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