Antiga Fábrica da Moagem do Marco comprada pela Câmara para Centro Multiusos

NEGÓCIO. Compra a um privado foi aprovada pelo Executivo de maioria PS será nesta sexta-feira, ratificada pela Assembleia Municipal onde os socialistas têm maioria. É intenção camarária de instalar na Electro Moagem uma academia profissional e uma escola de ensino pós-secundário, no domínio de especialização tecnológica e um grande anfiteatro.

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A aquisição das instalações da Fábrica da Moagem do Marco, também conhecida por Electro Moagem do Marco, no lugar da Estação, na freguesia do Marco (ex-Rio de Galinhas), foi negociada pela Câmara do Marco de Canaveses pelo preço de 1,7 milhões de euros, que serão pagos em três prestações de 566.666,67 euros. Uma prestação no dia da assinatura da compra, outra no primeiro trimestre de 2024 e uma terceira no início de 2025.

“É uma oportunidade imperdível de adquirir e requalificar um edifício que marca o imaginário dos marcuenses”, considera a Câmara presidida por Cristina Vieira (PS). A proposta de compra teve a abstenção do PSD/CDS e do vereador do PS, Bruno Magalhães. Este último entende que “apenas existe um conjunto de intenções para ocupar aquele espaço”, argumento que também terá sido usado pela Coligação. Francisco Vieira, líder da coligação, não respondeu às tentativas de contacto do TTV.

Imagem da Fábrica da Moagem ainda em laboração

A autarquia, por seu lado, diz que o espaço que tem 5.820m2 de área irá acolher por fases um centro multifacetado de desenvolvimento ao nível da economia, ensino e formação e cultura.

A aquisição da  Fábrica, que outrora produzia as massas d´ouro, está no entanto longe de ser pacífica. Há, aliás, quem rejeite “ser cúmplice”, do negócio de compra e do investimento na recuperação do espaço que, a preços atuais, ficará por um valor superior a 16,2 milhões de euros. (ver caixa)

A autarquia diz que ainda é cedo para apurar o valor do investimento da requalificação e reorganização daquele espaço e que “a intervenção poderá acontecer de forma faseada, assente num processo dinâmico, com base nos fundos comunitários disponíveis e na possibilidade de albergar outros projetos estruturantes para o concelho”, argumenta.

Quanto aos contornos do negócio da compra a um privado, a Câmara explica que “o conjunto dos prédios urbanos e rústicos” da antiga fábrica “foram avaliados em 3,4 milhões de euros mas, após negociações, foi possível avançar como o justo valor de alienação no montante 1,7 milhões de euros”.

A Fábrica da Moagem do Marco encerrou em 1999 após processo de insolvência. A unidade acabaria mais tarde por ser adquirida por um industrial da panificação com negócios em Newark, nos Estados Unidos, com objetivo de construir uma fábrica exportadora de pão congelado, registada sob a designação de PBC- Portuguese Baking Company, LDA. O projeto, porém, nunca saiu do papel. Paulo Massa Babo Ribeiro, na qualidade de gerente da PBC, será quem irá outorgar a venda ao município.

Aquisição criticada por vereador socialista

Bruno Magalhães, o vereador desalinhado no PS, diz não concordar com a decisão de compra da antiga Fábrica e que: “não me posso calar, nem ser cúmplice!”, de um negócio de compra e do investimento na recuperação do espaço que, a preços atuais, ficará por um valor superior a 16,2 milhões de euros. O valor de 16.250.000,00 euros resulta dos cálculos feitos pelo próprio: aos 1,7 milhões da compra, Bruno Magalhães somou o custo da requalificação dos 5.820m2 de área do edificado da fábrica. O preço base de requalificação por metro quadrado está, atualmente, nos 2.500,00 euros.

“A compra poderia ser sinalizada, ficando o município com direito de preferência. Mais tarde, já com os problemas prioritários do concelho resolvidos, como a resolução do litígio com as Águas do Marco prometida pelo PS, aí sim, poderia ser fechada a compra”.

Fábrica ao Centro

  • Para ocupar a Fábrica a Câmara do Marco, na área económica defende a criação de um polo de inovação e empreendedorismo para incubação e aceleração de empresas sob o domínio do MarcoInvest. “Esse espaço disporá de políticas direcionadas à atração de jovens recém-diplomados interessados no desenvolvimento de novos negócios e contará com espaços de coworking”, refere a fonte.
  • A Câmara Municipal pretende ainda instalar no mesmo edifício a Agência de Investimento do Tâmega e Sousa que está em processo de constituição no âmbito da Comunidade Intermunicipal, “delineando a partir daí a estratégia de atração e fixação de investimento no concelho”, justifica.
  • Já a componente cultural do projeto, Executivo municipal do Marco de Canaveses, admite que “deve ser assegurada por um polo destinado às indústrias culturais e criativas, de modo a acolher projetos e iniciativas empresariais que surjam, designadamente, nas áreas das artes performativas, do design, da moda e do multimédia”. “Prevê também a construção de um anfiteatro capaz de albergar largas centenas de pessoas, de modo a acolher espetáculos, concertos, congressos, ” etc.
  • O interesse na aquisição desta fábrica, no dizer de Cristina Vieira, presidente da Câmara, surge no seguimento da estratégia do Município na regeneração urbana da zona da Estação da CP onde estão a ser investidos 700 mil euros na reabilitação do espaço público. “Um polo económico e cultural como aquele que projetamos para este imóvel, face da Linha do Douro, pode vir a ser o elemento acelerador para que a Estação e Rio de Galinhas recuperarem a centralidade urbana que já tiveram, afirmando-se como área natural de expansão do núcleo central da cidade”.

António Orlando

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