Hospital de Penafiel regista uma “dramática” falta de médicos especialistas

SAÚDE. A denúncia é feita em conjunto pela Ordem dos Médicos e Sindicatos (Federação Nacional dos Médicos e Sindicado Independente dos Médicos). Na área da Oncologia, o hospital de dia não se encontra em funcionamento.

Ordem dos Médicos e Sindicatos falam em falta de investimento na área do internamento, na urgência e nos recursos humanos do Hospital Padre Américo, em Penafiel

É “dramática” a falta de especialistas no Hospital Padre Américo, em Penafiel, garantiu Miguel Guimarães, Bastonário da Ordem dos Médicos, no âmbito de uma visita de trabalho que fez à sede do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS), acompanhado pelo secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Jorge Roque da Cunha, e da presidente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), Joana Bordalo e Sá.

Para além da falta de clínicos, a unidade está subdimensionada para a população que assiste. O Hospital de Penafiel foi construído para 250 mil pessoas mas, atualmente, presta assistência ao dobro: meio milhão de habitantes residentes em toda a região do Tâmega e Sousa.

“Atualmente o Hospital de Penafiel tem uma população referência maior que o Centro Hospitalar de S. João, no Porto ou Centro Hospitalar Lisboa Norte, leia-se Hospital de Santa Maria”, sublinhou o Bastonário.

De acordo com os dados relatados, o Centro Hospitalar Tâmega e Sousa deveria ter, para garantir uma adequada capacidade de resposta, 55 médicos internistas (Medicina Interna), no entanto, tem apenas 24. Em número de camas, o serviço de Medicina Interna deveria ter 213, mas tem lotação de apenas 164 camas, o que origina uma constante sobrelotação do serviço.

Relativamente ao serviço de Radiologia, verifica-se igualmente uma grande falta de médicos.

Na área da Oncologia, o hospital de dia não se encontra em funcionamento, devido a deficiências a nível das infraestruturas, obrigando os utentes a deslocarem-se por vários quilómetros para receberem tratamento nos hospitais do Porto.

Tal como acontece noutras instituições em todo o país, os médicos têm centenas de dias de descanso por gozar. Segundo o Bastonário, é fundamental “contratar as pessoas que são necessárias e ter um respeito grande pelos profissionais” que trabalham no hospital.

Miguel Guimarães, Bastonário da Ordem dos Médicos

Miguel Guimarães esteve a falar com os colegas e aos jornalistas explicou que os médicos querem “saber o que é que devem fazer em circunstâncias em que têm cinco, seis, sete vezes mais doentes e não os conseguem atender ao mesmo tempo” e reiterou que esta é uma questão que devolve “ao Ministério da Saúde e às instituições competentes”. O representante de todos os médicos deixou ainda uma questão à tutela: “Quando temos num Serviço de Urgência cinco vezes mais doentes do que seria previsível e as pessoas que lá estão não podem dar resposta em tempo útil… o que é que devem ou não fazer?”.

Antes da visita aos serviços e ainda em Penafiel, houve tempo para uma reunião com o conselho de administração e direção clínica do hospital onde foram identificados problemas de infraestruturas subdimensionadas e de falta de gabinetes para os médicos.

António Orlando

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