IMBRÓGLIO. A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Marco de Canaveses (AHBVMC) tem em curso uma recolha de assinaturas no concelho para serem, em abaixo assinado, enviadas à Câmara Municipal a reclamar a afetação de um terreno contíguo ao quartel.

O referido terreno, denominado de Campo do Lapoceiro, por vontade da Câmara Municipal, irá ser ocupado com a construção de habitação social a custos controlados, no âmbito da Estratégia Local de Habitação (ELH). Os bombeiros não concordam e dizem que em causa está o futuro imediato da operacionalidade da corporação.
Refira-se que o Estado, proprietário do campo do Lapoceiro, em 1997, havia proposto a cedência do terreno aos bombeiros para ampliação do Quartel em troca de 4 mil contos (20 mil euros) mas a AHBVMC não avançou com a obra no prazo previsto de dois anos e, dessa forma, o terreno reverteu de novo para o Estado sem direito a indemnização. Agora, ao abrigo da transferência de competências, a Câmara do Marco no âmbito da ELH propôs ao Governo construir 60 habitações a custos controlados no campo do Lapoceiro.
Os bombeiros discordam e pedem à Câmara que leve a construção de habitação para outro lado porque “as necessidades operacionais da corporação, designadamente o alargamento do quartel são um imperativo ao normal funcionamento da instituição. Em Assembleia Geral da AHBVMC, aberta à população, foi aprovada a realização e envio do abaixo assinado à autarquia. Nesta altura já são milhares as assinaturas recolhidas. Na véspera da reunião magna dos bombeiros a autarquia emitiu um comunicado onde, para justificar a sua opção, fazia o historial do terreno e imputava responsabilidades à AHBVMC.
O assunto está a causar mau estar entre as duas instituições, que até aqui tinham andado de mãos dadas, até pela proximidade dos dirigentes. Os bombeiros são presididos por João Monteiro Lima, um ex-dissidente do PCP que, pela mão da presidente de Câmara, Cristina Vieira, se filiou no PS, mas que agora, em resultado da polémica instalada em torno do campo do Lapoceiro, já se demitiu dos cargos para o qual foi havia sido eleito: membro da Comissão Política Concelhia do PS e Membro da Assembleia Municipal, onde era líder da bancada dos socialistas.
A Câmara alega que a ELH “foi aprovada por unanimidade (PS, PSD e CDS) na reunião de Executivo de 8 de junho de 2020 e na Assembleia Municipal de 26 de junho de 2020 – em parte da construção do total de habitações está prevista para o terreno do Campo do Lapoceiro”, pode ler-se. João Monteiro Lima, que na qualidade de líder parlamentar votou favoravelmente a proposta, garante que “nunca se falou no campo do Lapoceiro” como um dos locais para edificar habitação. “A referência a este terreno apenas aparece, num anexo, aquando da atualização da Estratégia Local de Habitação, levada aos órgão municipais para aprovação, em finais de 2022”, garantiu João Lima ao TTV.
Confrontada com esta e outras questões pelo TTV, a autarquia não respondeu em tempo útil.


