Amanhã, dia 5 de setembro, entre as 8h00 e as 10h00, a Federação Nacional dos Médicos (FNAM), anunciou que vai estar no Porto Palácio Hotel (Av. Boavista 1269, Porto), para uma Flashmob no 2.º Simpósio da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre o Futuro dos Sistemas de Saúde na Era Digital, em defesa da dignidade da carreira médica e do futuro do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

“Visamos especialmente os Ministros da Saúde estrangeiros presentes no evento, mas também o Governo português e o Ministro da Saúde Dr. Manuel Pizarro, para dar um grito de alerta para abandonarem a sua teimosia e que tenham a coragem de incorporar as propostas dos médicos no SNS, para que todos os cidadãos em Portugal possam ter acesso a um serviço de saúde público, universal, com qualidade e com futuro”, justifica fonte do sindicato.
A FNAM sublinha que o protesto tem igualmente como alvo a OMS, para que, em próximas reflexões sobre “o futuro dos sistemas de saúde na era digital, não esqueça, como o fez desta feita, do desafio digital no que aos sistemas públicos de saúde diz respeito”.
Esta Flashmob no Simpósio da OMS é a primeira etapa do TOUR da FNAM, que vai percorrer várias unidades de saúde em Portugal, com o objetivo de reforçar a mobilização dos médicos a entregar as declarações de indisponibilidade para realizar trabalho suplementar além das 150 horas obrigatórias por ano, e mapear a situação dramática que se vive nas várias unidades de saúde.
O TOUR terminará em Lisboa, no dia 14 de novembro, com uma Manifestação Nacional em frente ao Ministério da Saúde, juntamente com uma Greve Nacional de dois dias, marcada para 14 e 15 de novembro.
A FNAM lembra que os médicos em Portugal são dos mais mal pagos na União Europeia e têm vindo a ver as suas condições de trabalho deterioradas na última década, “pelo que temos emigrado e saído do SNS para o setor privado ou para empresas de prestação de serviço”.
Após 16 meses de negociações que não resolveram o problema da falta de médicos no SNS, o Ministério da Saúde português “não apresentou, nem aceitou até à data propostas adequadas para salvaguardar as carreiras médicas, revelando falta de competência para chegar a um acordo capaz de responder rapidamente à necessidade de fixar médicos no SNS”, acrescenta a FNAM.
Assim os médicos defendem que para inverter esta realidade, o governo português “tem de aumentar a fatia do Orçamento de Estado anual destinado aos salários dos médicos, e dar uma utilização adequada aos fundos europeus que vão ser injetados no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR)”.
Propostas dos médicos:
- Redução do horário de 40 horas para 35 horas;
- Reposição das 12 horas em serviço de urgência ao invés das atuais 18h;
- A possibilidade de dedicação exclusiva no SNS, opcional e majorada;
- Manutenção do limite das 150 horas de trabalho suplementar por ano;
- Manutenção dos descansos compensatórios depois do trabalho noturno, para segurança dos doentes e médicos;
- Redimensionamento da lista de utentes dos médicos de Medicina Geral e Familiar;
- A inclusão do internato médico no 1.º grau da carreira médica;
- Lideranças médicas definidas com processos transparentes, democráticos e justos;
- Melhoria das medidas de proteção da parentalidade e da formação para os médicos;
- Possibilidade de reforma antecipada dos médicos com 36 anos de serviço ou 62 anos.
Flashmob
- Um flashmob é um grupo de pessoas que se reúnem repentina e instantaneamente em ambiente público, realizam uma apresentação atípica por um curto período de tempo e rapidamente se dispersam do ambiente como se nada tivesse acontecido.


