ALIMENTAÇÃO. Insetos comem caules de couve, cenouras, batatas e abóbora durante seis a sete semanas em contentores

Nem nas mais ousadas dietas alimentares, Maria da Luz, agricultora de Penhalonga, no Marco de Canaveses, se atreveu “a sonhar que um dia iria engordar larvas para a alimentação” humana. Mas o certo é que essa realidade chegou ao dia a dia desta mulher que, com o marido, trata da agricultura numa quinta no lugar de Piares. Ali, são engordadas larvas para serem transformadas em farinha para consumo humano.
O processo é gerido pela Insect Based Feed and Food, uma empresa de Matosinhos dedicada à produção e transformação de insetos para consumo alimentar, em parceria comercial com os agricultores. A alimentação para a engorda das larvas é feita em contentores climatizados a 27,5 graus Celsius, previamente instalados em terrenos agrícolas.
DÁ FERTILIZANTE FORTE
Durante seis a sete semanas, as larvas-bebé, que chegam a Penhalonga com uma semana de vida, são engordadas com caules de couve, cenouras, batatas, curgetes, abóbora, etc. Depois, são enviadas para a fábrica da Insect Based Feed and Food, onde são transformadas em farinha.
Cerca de três quilos de larvas dão um quilo de farinha, rica em proteínas, com um custo de produção entre os oito e os 30 euros. O custo para o consumidor final pode variar entre 60 e 120 euros por quilo. A cada seis a sete semanas, cada contentor produz 650 quilos de larvas e entre 800 quilos a uma tonelada de fertilizante (resíduos). Uma parte do fertilizante fica no produtor e o resto é introduzido no mercado em forma de pellets.
“É muito bom, mas, por ser muito forte, tem de ser misturado com a terra, caso contrário queima as plantas e as sementes”, explica Maria da Luz, que, este ano, já produziu “muitas e grandes batatas” alimentadas com o fertilizante das larvas.
A aposta empresarial da Insect Based Feed and Food está a estender-se a Melres, a Oliveira de Frades e a Leiria. Em agenda, estão cerca de 60 projetos “a implementar a norte do Tejo”, num investimento que irá duplicar o milhão de euros já aplicado pela empresa.
“A reprodução de larvas, a fase mais sensível e complexa do processo e aquela onde foi feito um maior investimento tecnológico, é feita em Leça do Balio”, revela Vasco Esteves, CEO da Insect Based Feed and Food.
A farinha é exportada para a Europa Central, do Norte e do Leste. A Europa do Sul “é o mercado que está menos disposto a consumir insetos”. Maria da Luz “ainda” não usou a farinha de larva, mas está à espera que Vasco Esteves lhe leve “as bolachas para provar”. “Está prometido”, garantiu Vasco Esteves.


