Baião. Família ucraniana regressou ao seu país

GUERRA. Uma família de três elementos ucraniana , avó, filha e neto, que estava a viver em Baião desde o início da guerra, decidiu regressar a Kharkiv, na Ucrânia, apesar de a guerra não dar sinais de abrandamento e, como tal, se manter o risco de vida.

Vítimas de uma instabilidade cujo final não se consegue antever, a família ucraniana -Alla, Daria e Dima- até aqui alojada em Baião decidiu arriscar o regresso a casa para reconstituir a família que a guerra separou devido ao facto de a generalidade dos cidadãos do sexo masculino não poderem abandonar o país.

“Chegamos no início da guerra, assustados face àquilo que acabáramos de viver: bombardeamentos constantes, mísseis e aviões. Estávamos confusos e sem entender o que nos esperava e o que deveríamos fazer a seguir. Tivemos de deixar as nossas casas e as nossas famílias para salvar a nossa vida e desta criança”, recordaram, agora, na hora do regresso a Kharkiv.

Na hora do adeus a Portugal, a família deslocou-se aos Paços do Concelho para se despedir do autarca, Paulo Pereira e respetivo staff : “Cuidou de nós, apresentou-nos a baionenses maravilhosos, convidou-nos para vários eventos, mostrou-nos a deliciosa cozinha e tradições portuguesas, paisagens de natureza incríveis, o oceano, e a cidade indescritivelmente bela de Fátima. De todo o coração gostaria de lhe dizer as mais sinceras palavras de agradecimento pela sua cordialidade e conforto”, referiu Alla, a matriarca da família.

“O acolhimento aos cidadãos ucranianos não foi apenas um esforço deste Executivo e dos colaboradores municipais. A comunidade baionense, de uma forma geral, demonstrou todo o seu altruísmo e compaixão pela vossa situação e foi inexcedível no apoio que vos proporcionou”, replicou o autarca, desejou que “o conflito termine em breve para poderem viver em paz, pois bem merecem”.

Refira-se que a mobilização de Baião para receber refugiados após o eclodir da guerra, impulsionou além da autarquia, várias instituições e a sociedade civil, a criar condições de acolhimento para 30 pessoas mas que “não se cingiu à disponibilização de alojamento, foi mais além”, refere fonte municipal. Desde os bens de primeira necessidade, refeições confecionadas e bens para confeção própria, auxílio no acesso ao sistema nacional de saúde e a cuidados de saúde primários e na obtenção de toda a documentação para poderem beneficiar da Lei de Proteção Temporária de Pessoas Deslocadas, diálogo com os Agrupamentos de Escolas para a integração das crianças refugiadas no sistema educativo e articulação com o Instituto de Emprego e Formação Profissional e com o Instituto de Segurança Social para a inserção no mercado de trabalho e formação de turmas para aprendizagem do português e obtenção de subsídios. Ainda, segundo a autarquia, foram criados canais de comunicação diretos com a Câmara, nomeadamente através de um telefone que estava disponível 24 horas por dia e um email dedicado.

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