BAIÃO. Bengalas de Gestaçô são Património Cultural Imaterial

PATRIMÓNIO. A distinção tem por base a “salvaguarda urgente” do oficio

As “Bengalas de Gestaçô”, produto artesanal e uma das maiores marcas da identidade baionense, foram recentemente classificadas pela Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) como “Património Imaterial Nacional”. A classificação decorre de uma candidatura apresentada pela Câmara Municipal de Baião

A manufatura das Bengalas de Gestaçô integra agora o Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, com a publicação em Diário da República, no dia 29 de novembro de 2023, onde se destaca a “importância da manifestação enquanto reflexo da identidade da comunidade”, bem como a “sua dimensão histórica social e cultural na área territorial em que se insere”.

Para a vereadora da Cultura e do Património Cultural, Anabela Cardoso, este “é um justo reconhecimento do valor das peças e também do trabalho dos artesãos, verdadeiros continuadores desta arte e seus precursores mantendo-a viva”.

As Cestas de Frende, são outro outro produto artesanal de referência do concelho que aguardam idêntica classificação.

SABER MAIS

As primeiras oficinas de bengalas surgiram em Gestaçô nos finais do século XIX. O grande impulsionador do ofício foi Alexandre Pinto Ribeiro, que em 1902 ali, naquela freguesia do concelho de Baião, instalou a sua oficina. Utilizou uma técnica inovadora, a técnica da dobragem, isto é, baseia-se na dobragem das pontas de madeira amolecida em água a uma elevada temperatura e com ajuda de uma barra metálica, o que permite aproveitar uma maior quantidade de matéria prima e obter um produto de maior qualidade.

O fruto deste oficio tradicional é “vedeta” nas visitas de membros do governo ao concelho. Não há governante que tenha passado por Baião e que não tenha levado para casa uma bengala. O caso mais conhecido é do Ministro da Educação, João Costa, que se move com a ajuda de uma bengala que lhe foi oferecida pelo ex-autarca José Luís Carneiro. A principal fonte de escoamento da produção das bengalas de Gestaçô são festas da queima universitárias.

PATRIMÓNIO IMATERIAL NACIONAL

Em 2003, na 32ª Conferência Geral das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, foi aprovada a Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial.

De acordo com a Convenção, consideram-se Património Cultural Imaterial, as práticas, representações, expressões, conhecimentos e aptidões – bem como os instrumentos, objetos, artefactos e espaços culturais que lhes estão associados – que as comunidades, os grupos e, sendo o caso, os indivíduos reconheçam como fazendo parte integrante do seu património cultural.

Esse património cultural imaterial, transmitido de geração em geração, é constantemente recriado pelas comunidades e grupos em função do seu meio, da sua interação com a natureza e da sua história, incutindo-lhes um sentimento de identidade e de continuidade, contribuindo, desse modo, para a promoção do respeito pela diversidade cultural e pela criatividade humana

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