Autarca nega processos judiciais

POLÍTICA Reuniões de câmara públicas são palco de debate acesso entre a presidente de câmara e o vereador independente

“Não há nenhum processo jurídico que envolva a presidente da Câmara, compreendo a frustração”. A afirmação foi proferida pela autarca do Marco de Canaveses, Cristina Vieira, em reunião do Executivo Municipal realizada na quinta-feira, 27 de junho, em resposta a uma interpelação do vereador independente, Mário Bruno Magalhães.

Intervenção de Francisco Gil Mendes na reunião de Câmara continua a dar pano para mangas no debate político marcuense

O vereador havia pedido explicações a Cristina Vieira por não ter respondido às acusações feitas em reunião de Câmara, no período reservado ao público, pelo munícipe Francisco Gil Mendes sobre a existência de diversos processos judiciais que supostamente envolvem a autarca e que estarão sob a alçada do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) da Comarca do Porto Este. “Não a ouvi dizer que estava a levantar suspeitas nem desmentiu aquilo que ele estava a dizer”, interpelou Mário Bruno Magalhães, desafiando a autarca a pronunciar-se sobre o assunto.

A autarca, em resposta, negou-se a aceder ao pedido de explicações do vereador: “Não vou responder. O senhor munícipe teve as respostas que devia ter”, disse Cristina Vieira. Ou seja, que na Câmara não responde a questões da justiça nem de política, apenas fala e trata sobre os “problemas e interesses dos marcuenses”.

O vereador, antes já tinha acusado a autarca de “mentir” ao órgão municipal – “câmara”- por ter entregue aos vereadores, a pedido, uma lista de processos judiciais que envolvem a autarquia e nesse documento “não se encontram esses processos”.

“Aonde é que estão esses processos? Onde é que esconde esses processos? Nós vereadores não podemos ser informados por terceiros de coisas que dizem respeito à gestão da Câmara Municipal. Quem é que responde a esses processos?”, perguntou.

“A senhora presidente não mentiu, a senhora presidente não mente”, começou por se defender a autarca, explicando que a “lista” que forneceu aos senhores vereadores “é uma lista oficial, fornecida pelos serviços jurídicos, que foi enviada exatamente como a recebi. Eu até compreendo a vossa frustração. Tanta queixa anónima e não haver um processo do Ministério Público contra a presidente naquela lista . Mas não há, não há”, garantiu Cristina Vieira.

Polícia de moralidades

O vereador questionou, também, o vice-Presidente, Nuno Pinto, se era “conhecedor do envio de mensagens [whatsapp] da presidente de Câmara, Cristina Vieira, a militantes do PS a informar que os bilhetes para o almoço de campanha [partidária das legislativas] com o secretário geral do PS eram levantados no Gabinete de Apoio à Presidência (GAP)”, tal como havia sido denunciado pelo munícipe Francisco Gil Mendes na reunião de Câmara.

Em relação “ao que se passa em grupos” de whatsapp “políticos”, Nuno Pinto disse ter “uma política há muito tempo: participo porque faço parte dos órgãos; por norma não participo nesses grupos, quando tenho que dizer alguma coisa a alguém mando uma mensagem ou ligo. Também não tenho por norma ter ativas as notificações para esses grupos. Acreditem que se quiserem”, disse, Nuno Pinto, rematando ao afirmar que não é “político para ser polícia de moralidades e por isso o que se passa nas comissões políticas, há os seus fóruns e eu sobre isso não falo”, concluiu.

Recentemente a Polícia Judiciária (PJ) esteve em diligência nos serviços municipais de urbanismo da Câmara do Marco e no edifício dos Paços do concelho. Numa das queixas apresentadas pelo munícipe Francisco Gil Mendes, junto da Procuradoria Geral da República, estará referida a construção de um prédio, na Avenida Avelino Ferreira Torres, de sete andares com varandas em cima do passeio.

António Orlando

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