ENTREVISTA. Até ao próximo domingo, 20 de julho, o Festival MIMO 2025 invade a cidade com mais de 60 atividades e artistas de 13 países. O TTV falou com Lú Araújo, diretora artística e curadora do Festival, que partilhou a visão, os desafios e a alma deste festival gratuito que há dez anos faz de Amarante um palco global.
Por António Orlando

Tâmega TV (TTV) – Como vê o MIMO hoje?
Lú Araújo (LA) – Vejo o festival em sintonia com o momento atual. Cresceu muito e internacionalizou-se, passando do Brasil para Portugal, especificamente para Amarante, uma cidade que acolheu muito bem o festival. É um privilégio oferecer gratuitamente artistas de renome mundial numa cidade pequena do Norte de Portugal.
TTV- O que distingue o MIMO de outros festivais?
LA- É gratuito, tem uma curadoria cuidadosa, promove uma mistura de géneros e nacionalidades (este ano com 13 países representados) e mantém uma identidade própria. Mantemos a coerência com a proposta inicial: ocupar espaços de património histórico e oferecer música de qualidade.

TTV- Como equilibram crescimento com intimismo?
LA- Há planeamento estratégico. O festival continua a ter uma dimensão humana e acessível, com uma programação ajustada ao tamanho e orçamento disponível. Apostamos numa diversidade sonora em vez de nomes milionários.
TTV- E quanto à curadoria musical?
LA- É meticulosa e desafiante. Procuramos nomes emergentes e tendências, mas também artistas consagrados. A ousadia é juntar géneros diferentes e fugir do óbvio. A programação do MIMO é sempre singular.
TTV- Há uma dimensão política no festival?
LA- Não fazemos discursos políticos, mas a programação reflete realidades culturais importantes, como a Palestina. Trazer artistas desses contextos é uma forma de mostrar a sua relevância cultural e promover um olhar mais atento e respeitoso.
TTV- O que trazem as atividades paralelas como oficinas e o MIMO Bem-Estar?
LA- Permitem conhecer os artistas para além do palco. Os workshops e as práticas de bem-estar são experiências transformadoras e fazem parte da missão do MIMO de formar públicos mais críticos e conectados com a arte.

TTV- A grande aposta do MIMO 2025?
LA- A multiculturalidade. Nomes como Aja Monet, José James, Chief Adjuah, Sona Jobarteh ou Momi Maiga prometem marcar o festival. Mais do que destacar um artista, é o conjunto da programação que se impõe como experiência única.
TTV- Como o MIMO fortalece os laços Portugal-Brasil?
LA- Trazemos grandes e novos nomes brasileiros a Portugal e levamos música portuguesa contemporânea ao Brasil. Há um intercâmbio cultural verdadeiro e contínuo. O MIMO dá visibilidade a artistas que, noutros contextos, não teriam o destaque merecido.
TTV- Porquê Amarante?
LA- É uma cidade simples, acolhedora, rica em património e cultura. A escolha de Amarante foi intuitiva e estratégica. Tem uma energia especial que combina com o espírito do MIMO: um festival experiente, mas nunca arrogante.

TTV- Há garantias de continuidade em Amarante?
LA- A nova gestão municipal ainda está a avaliar. Não há decisão final, mas o desejo de continuar existe. Se esta for a última edição, será memorável. Se for o início de um novo ciclo, também será bem-vindo.
TTV- Mensagem final ao público?
LA- Venham. O MIMO é inclusivo, gratuito, multigénero, com excelente infraestrutura. Há espaço para todos os gostos musicais. A cidade transforma-se num palco vivo. Quem ainda não conhece, não deve adiar. Esta edição pode ser única.


