FOGo. O incêndio que lavra em Amarante poderá ser dado como dominado ainda esta tarde, segundo declarações otimistas do comandante dos Bombeiros de Amarante.
A frente ativa está confinada e controlada, na zona de Fridão, com 239 operacionais e 83 viaturas no terreno, apoiados por três máquinas de rasto. O incêndio começou em Arnoia, no concelho de Celorico de Basto, galgou o rio Tâmega e prosseguiu a sua caminhada demolidora na serra da Meia Via, em Amarante.

Apesar da proximidade das chamas a algumas habitações, não foram registados danos materiais ou humanos. Segundo o presidente da Câmara Municipal, Jorge Ricardo, apenas crianças e idosos foram retirados preventivamente. “O pior dia foi ontem, mas os meios mobilizados evitaram o pior”, afirmou o autarca, destacando a rápida resposta dos operacionais.
A expectativa é que o fogo entre em fase de rescaldo nas próximas horas, embora persistam muitos pontos quentes. Os bombeiros alertam para a necessidade de manter equipas no terreno, especialmente face às elevadas temperaturas previstas.
Moradores continuam a apontar a falta de limpeza dos terrenos como fator agravante. No entanto, os responsáveis destacam os bons acessos como fundamentais para a eficácia da operação de combate. “Há sempre espaço para melhorar, mas houve condições muito favoráveis para a atuação dos meios”, sublinhou Jorge Ricardo.
O combate aos incêndios na região tem sido dificultado pela reincidência de ignições noturnas. De acordo com a Agência para a Gestão Integrada dos Fogos Rurais, 24% dos 892 incêndios registados na última semana de julho ocorreram entre as 22h00 e as 6h00, com concentração em 15 concelhos do Norte, incluindo Baião.
Márcio Vil, comandante dos Bombeiros Voluntários de Santa Marinha do Zêzere, considera as ignições noturnas “provavelmente intencionais”. A Polícia Judiciária, com uma equipa permanente no terreno, admite uma mudança no perfil dos incendiários: indivíduos com elevado conhecimento técnico sobre o fogo, o que aumenta o risco e a dimensão dos incêndios.


