CULTURA. A câmara de Amarante disponibiliza ao público o espólio do escritor Teixeira de Pascoaes na Casa da Cadeia, onde estará em exposição temporária até 2028. A mostra, intitulada “Teixeira de Pascoaes: Entre Ruínas e Fantasmas”, foi inaugurada na sexta-feira e reúne um conjunto representativo de objetos, documentos, fotografias, obras de arte e mobiliário, todos adquiridos pela autarquia.

Organizada pela Câmara Municipal de Amarante e com curadoria do investigador José Rui Teixeira, a exposição oferece uma visão única sobre a intimidade, o pensamento e o universo criativo do poeta e pensador amarantino. O acervo, de elevado valor literário e histórico, permite ao visitante uma aproximação profunda à obra e legado do autor.
A Casa da Cadeia, antiga câmara e cadeia da cidade, foi transformada no Lugar Saudade — Teixeira de Pascoaes, um espaço cultural dedicado à valorização do legado do escritor, com foco na comunidade local, educativa, académica e nos turistas.
Teixeira de Pascoaes nasceu em Amarante em 1877. Após estudar Direito em Coimbra, dedicou-se à literatura e à vida rural, fixando-se na Casa de Pascoaes, em Gatão. Foi uma figura central do saudosismo e da renascença portuguesa, destacando-se como poeta, filósofo e ensaísta em cidades como o Porto e Lisboa.
Autor de uma vasta obra traduzida para várias línguas, Pascoaes manteve-se fiel à poesia até ao seu falecimento, em 1952. A sua escrita, marcada por um imaginário telúrico e introspectivo, consolidou-o como o poeta-filósofo da saudade.
Teixeira de Pascoaes
Engrandecer Portugal era o maior anseio de Teixeira de Pascoaes. Figura de renome da literatura, o poeta via na Saudade a condição perfeita para “ressuscitar” o país. Teixeira de Pascoaes abandonou a carreira de advogado para se dedicar à escrita. Foi o principal mentor do “Saudosismo” e dirigente do movimento “Renascença Portuguesa”. Na história de Portugal e, muito particularmente, de Amarante, é relembrado como um poeta-filósofo. Amarante deu o seu nome a uma Alameda, onde lhe ergueu uma estátua, mesmo defronte ao Museu Amadeo de Souza-Cardoso. Simbolicamente é daí que continua a contemplar o Rio Tâmega e a Serra do Marão, as suas duas principais musas inspiradoras.




