INVESTIGAÇÃO. Um estudo do CIS-Iscte e do ICS-ULisboa conclui que o passado colonial de Portugal continua a alimentar microagressões contra mulheres imigrantes, sobretudo oriundas da CPLP, perpetuando estereótipos que podem levar à exclusão social.
A investigação identificou mais de 300 incidentes de microagressão relatados por mais de 50 mulheres migrantes residentes em Portugal entre 5 meses e 30 anos. Entre os exemplos estão perguntas como “de onde és realmente?”, pressupostos de inferioridade ou a desvalorização do português falado nos países africanos e no Brasil.

Segundo as investigadoras, estas atitudes, embora subtis, têm impactos psicológicos significativos, como stress, sentimentos de exclusão e perceções de não pertença. “As microagressões não são apenas atos individuais, mas estão enraizadas em narrativas sociais mais amplas”, explica Christin-Melanie Vauclair, do CIS-Iscte.
O estudo, desenvolvido no âmbito do doutoramento de Elena Piccinelli, evidencia ainda o papel de mitos coloniais persistentes, como o do “bom colonizador”, que continuam a influenciar a forma como a sociedade portuguesa encara as populações imigrantes.
As investigadoras alertam para a necessidade de medidas urgentes, como programas educativos que desconstruam estereótipos da era colonial e serviços de apoio às mulheres imigrantes. “O nosso trabalho destaca a importância de promover empatia e sensibilidade cultural”, conclui Piccinelli.


