ECONOMIA. Nova Autarca de Baião reage aos dados do INE que colocam o concelho com menor poder de compra do distrito do Porto. No mapa nacional os menores valores situam-se em sub-regiões do Norte e do Centro. O Tâmega e Sousa é uma dessas sub-regiões.
Os mais recentes indicadores do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que Baião é o concelho com menor poder de compra de todo o distrito do Porto, registando 64,54 pontos face à média nacional de 100. A presidente da Câmara Municipal de Baião, Ana Raquel Azevedo, reagiu a estes resultados, sublinhando que os números “são bem demonstrativos de todo o trabalho que este executivo tem pela frente”.

“Entre 2005 e 2023, Baião deixou de ser o terceiro concelho do Tâmega e Sousa com rendimento per capita mais baixo para se tornar aquele com menor rendimento. Em termos nacionais, passou da 294.ª para a 301.ª posição entre 308 concelhos”, referiu a autarca.
Ana Raquel Azevedo destacou ainda que os dados agora revelados pelo INE refletem um problema estrutural de desigualdade territorial no país. “Em 2005 havia 43 municípios com poder de compra per capita superior à média nacional; dezoito anos depois, são apenas 31. Isto é sintomático de uma excessiva e gradual concentração de rendimento nos grandes centros urbanos. Trata-se de um desafio que o Governo deve enfrentar com políticas públicas de coesão territorial e incentivos ao desenvolvimento dos territórios mais periféricos”, defende.
Apesar do diagnóstico “preocupante”, a presidente reafirmou o compromisso do novo executivo municipal em inverter esta tendência. “Estamos totalmente empenhados na implementação de medidas que atraiam e fixem investimento e empresas capazes de criar novos postos de trabalho, preferencialmente qualificados. Ainda esta semana, na primeira do quadriénio 2025-2029, iniciámos contactos para formar uma equipa exclusivamente dedicada à promoção, divulgação e captação de investimento para Baião, com o objetivo de gerar mais riqueza e contrariar a erosão demográfica das últimas décadas”, conclui.
Lisboa apresenta o indicador ‘per capita’ de poder de compra mais elevado
Apenas 31 municípios, localizados sobretudo na Grande Lisboa e na Área Metropolitana do Porto, registaram em 2023 um poder de compra superior à média nacional, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
De acordo com o Estudo do Poder de Compra Concelhio do INE relativo a 2023, o indicador per capita de poder de compra (IpC) manifestado nos municípios em Portugal foi superior à média nacional em 31 dos 308 municípios.
“Em 2023, 23 municípios (7% do total) concentravam cerca de 50% do poder de compra nacional, e 65 municípios (21% do total) concentravam cerca de 75% do poder de compra nacional. Estes resultados suportam a leitura de que o poder de compra se encontra associado à dimensão urbana dos municípios, sendo territorialmente muito concentrado”, realçou ainda o INE.
Os resultados do IpC para 2023 demonstram que o índice foi superior no continente (100,6), comparativamente com as duas regiões autónomas, onde o valor atingiu 87,6 nos Açores e 88,1 na Madeira.
Dos municípios com maior poder de compra, seis localizavam-se na Grande Lisboa (constituída por nove municípios) e outros seis na Área Metropolitana do Porto (constituída por 17 municípios).
O município de Lisboa apresentava o indicador ‘per capita’ de poder de compra mais elevado (181,3), seguido dos municípios do Porto (162,2) e Oeiras (150,1).
Além destes, destacavam-se na Grande Lisboa o município de Cascais (117,5), e na Área Metropolitana do Porto os municípios de Matosinhos (119,6) e São João da Madeira (111,5).
Outros valores acima da média nacional foram também verificados em municípios capitais de distrito, com destaque para Coimbra (118,8), Aveiro (117,8), Faro (113,3) e Évora (111,5).
“No conjunto do território nacional, 106 municípios (34% do número total de municípios) apresentavam valores de IpC inferiores a 75, e 10 municípios tinham valores inferiores a 65”, realçou o INE, destacando ainda que, destes 10 municípios com menor IpC, dois pertencem à Madeira, sete à região Norte e um à região Centro (Beira Baixa).
Relativamente ao desempenho neste indicador tendo em conta as 26 sub-regiões NUTS III portuguesas, apenas a Grande Lisboa (127,6) e a Área Metropolitana do Porto (106,0) registavam valores acima da média nacional.
Os menores valores situam-se em sub-regiões do Norte e do Centro, designadamente Alto Tâmega e Barroso (73,9), Tâmega e Sousa (76,3), e Douro (79,8), onde o IpC médio não atingia 80% do valor médio nacional.
Seguiam-se as sub-regiões Beiras e Serra da Estrela (81,8), Terras de Trás-os-Montes (81,9), Alto Minho (82,3), Viseu Dão Lafões (84,7) e Beira Baixa (84,9).
Ainda ao nível regional, o INE destacou que as regiões NUTS II do Norte (com 32,6%) e da Grande Lisboa (com 25,5%) concentravam em conjunto mais de metade da percentagem de poder de compra (PPC) nacional verificada em 2023.
“Para este resultado contribuíram, de forma decisiva, além da Grande Lisboa, a Área Metropolitana do Porto (18,0%)”, uma vez que estas “duas sub-regiões reunidas perfaziam 43,5% da PPC nacional, que compara com a concentração de 36,9% em termos de população residente que ambas representam”, sublinhou o instituto de estatística.
O Estudo do Poder de Compra Concelhio do INE caracteriza os municípios portugueses sob o ponto de vista do poder de compra, a partir de indicadores como o Indicador per Capita de poder de compra (IpC), a Percentagem de Poder de Compra (PPC), o indicador derivado do IpC e o Fator Dinamismo Relativo (FDR).




