“ULS do Tâmega e Sousa com dezenas de doentes sem cama expõe rutura prolongada no SNS”, denuncia da FNAM

SAÚDE. Setenta doentes permaneceram internados, durante vários dias, no Serviço de Urgência do Hospital Padre Américo, em Penafiel, sem cama disponível em enfermaria, revelou o Sindicato dos Médicos do Norte (SMN-FNAM), denunciando uma situação de rutura assistencial que considera já “normalizada” no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Apesar de alguma oscilação nos números, cerca de 40 doentes continuam nesta condição, sendo esperado um agravamento ao longo do fim de semana.

Segundo o sindicato, a situação registada na Unidade Local de Saúde (ULS) do Tâmega e Sousa não corresponde a um episódio excecional, mas sim ao funcionamento continuado de um SNS acima do limiar de segurança clínica, com riscos conhecidos e assumidos ao nível governativo.

Na sequência de um primeiro alerta lançado pelos médicos de Medicina Interna, o SMN-FNAM reuniu com o Conselho de Administração da ULS do Tâmega e Sousa a 23 de dezembro, altura em que foi anunciada a implementação de um plano de contingência. Três semanas depois, os profissionais que asseguram os cuidados no terreno continuam sem conhecer formalmente esse plano, denuncia o sindicato.

Para o SMN-FNAM, a ausência de informação clara sobre os procedimentos a adotar compromete a segurança clínica. O sindicato exige que o plano de contingência seja disponibilizado aos profissionais, com critérios objetivos, limites definidos e responsabilidades claramente assumidas.

De acordo com os dados recolhidos no terreno, os internamentos ultrapassam de forma significativa a capacidade instalada, os rácios médico/doente são considerados incompatíveis com cuidados seguros e os doentes permanecem acumulados em áreas não adequadas à prestação de cuidados hospitalares. A situação é descrita em detalhe numa comunicação de seguimento elaborada pelos médicos do Serviço de Medicina Interna da ULS do Tâmega e Sousa.

O sindicato reconhece que o Conselho de Administração gere uma escassez existente, mas responsabiliza o Governo liderado por Luís Montenegro pela falta de resposta estrutural, apontando o subfinanciamento crónico do SNS, a insuficiência de camas hospitalares, a carência de médicos e a ausência de planeamento eficaz para o internamento hospitalar.

Segundo o SMN-FNAM, a situação vivida na ULS do Tâmega e Sousa reflete um problema de dimensão nacional e não apenas local. “Quando o governo aceita o risco, os doentes pagam com camas que não existem e os médicos com limites já ultrapassados”, sublinha o sindicato, defendendo que esta não pode ser a forma de governar o setor da saúde.

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