ÓBITUÁRIO. Morre Elisa Lisboa, atriz e professora com longa carreira no teatro, cinema e televisão, aos 81 anos
A atriz e professora Elisa Lisboa morreu na noite de quinta-feira, aos 81 anos, anunciou hoje a Casa do Artista. A instituição recorda a extensa carreira da atriz, iniciada no Teatro Experimental de Cascais em 1967.

Lisboa participou em filmes como Coisa Ruim, de Tiago Guedes e Frederico Serra, e Axilas, de José Fonseca e Costa. Na televisão, integrou o elenco de séries como Morangos com Açúcar, Podia Acabar o Mundo, Meu Amor, Doce Tentação e A Impostora.
No teatro, trabalhou em companhias como a Rey Colaço-Robles Monteiro, com peças como Hedda Gabler, de Ibsen, e O Duelo, de Bernardo Santareno, ainda antes do 25 de Abril de 1974. Posteriormente, desenvolveu um percurso extenso com o Grupo Teatro Hoje e o Teatro da Graça, que ajudou a fundar, interpretando obras como A Gaivota, de Tchekov, Uma Abelha na Chuva, de Carlos de Oliveira, e As Lágrimas Amargas de Petra von Kant, de Fassbinder.
O crítico Tito Lívio considerou a interpretação de Lisboa em As Lágrimas Amargas de Petra von Kant, em 1986, no Teatro da Trindade, em Lisboa, a sua atuação mais “sublime”, descrevendo a atriz como uma presença inquietante e intensa da protagonista Petra von Kant.
Além da carreira artística, Elisa Lisboa foi professora na Escola Superior de Teatro e Cinema, contribuindo para a formação de novas gerações de atores. Em entrevista à RTP em 2012, refletiu sobre o seu ofício: “Em todos os campos de ser atriz, acho que 80% é técnica, depois há uns 10% que é ter uma boa voz e qualidades para representar e outros 10% é ter o talento e a inteligência para pegar nisto tudo e fazer qualquer coisa. Depois, há 1% que sai fora destes 100% que é aquela coisa que espero sempre que chegue, que é a faísca.”
A ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, prestou homenagem à atriz nas redes sociais: “Morreu a atriz Elisa Lisboa, o rosto de inúmeras personagens marcantes. Habituámo-nos a vê-la na Televisão e no Cinema, mas foi pelo Teatro que começou. Ajudou a formar novas gerações na sua longa carreira. Por tudo o que deu à Cultura portuguesa, obrigada.”


