PRISÃO. O alegado líder do grupo neonazi 1143, Mário Machado, foi transferido da prisão de Alcoentre para o estabelecimento prisional de alta segurança de Paços de Ferreira, confirmou esta sexta-feira à agência Lusa o seu advogado, que anunciou a intenção de recorrer da decisão.

De acordo com José Manuel Castro, a transferência ocorreu na quinta-feira e deixou o recluso em regime de forte isolamento, permanecendo “22 horas por dia numa cela de oito metros quadrados”. O advogado adiantou que irá apresentar recurso junto do Tribunal de Execução de Penas.
Mário Machado cumpre atualmente uma pena de quatro anos de prisão, resultante de duas condenações por crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência.
Questionada pela Lusa, a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) escusou-se a comentar o caso, afirmando que não divulga publicamente os motivos ou procedimentos relacionados com a afetação de reclusos, nem presta informações sobre cidadãos.
A transferência surge na sequência de uma operação da Polícia Judiciária realizada a 20 de janeiro, que incluiu buscas à cela de Mário Machado, ainda em Alcoentre, e levou ao desmantelamento do grupo 1143, com a detenção de 37 suspeitos. Segundo a diretora da Unidade Nacional Contraterrorismo da PJ, Patrícia Silveira, foram então apreendidos “elementos relevantes para a investigação”.
No despacho de indiciação dos detidos, a que a Lusa teve acesso, o Ministério Público sustenta que Mário Machado terá delineado, em novembro passado, um plano para a realização, em 2026, de duas ações destinadas a provocar reações negativas ou violentas por parte da comunidade muçulmana residente em Portugal.
Uma dessas ações passaria pela divulgação de um vídeo, junto da comunicação social e na rede social X, com uma tarja a acusar Maomé, figura central do Islão, de pedofilia. A segunda consistiria na exibição, numa manifestação em Coimbra no dia 10 de Junho, de uma bandeira com a imagem do profeta com um turbante e uma bomba.
O despacho do Ministério Público enumera ainda cerca de uma dezena de ações atribuídas ao grupo 1143 desde fevereiro de 2024, incluindo iniciativas nas redes sociais e na via pública contra imigrantes muçulmanos, bem como a agressão a dois cidadãos indianos numa área de serviço de Aveiras, na Autoestrada 1, em outubro de 2025.


