Gestão inédita evita cheia em Amarante enquanto APA vigia com preocupação Tejo, Mondego e Guadiana

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) mantém sob vigilância reforçada as bacias hidrográficas do Tejo, Mondego e Guadiana, consideradas as mais preocupantes a nível nacional após a passagem da tempestade Marta e perante a previsão de nova intempérie para os próximos dias.

Em declarações prestadas este sábado, 7 de fevereiro, em Amarante, o presidente da APA, José Pimenta Machado, explicou que a tempestade entrou em Portugal durante a madrugada, afetando sobretudo a região de Lisboa e o vale do Tejo, antes de se deslocar para Norte e lançar grandes quantidades de precipitação em várias bacias hidrográficas, seguindo depois em direção a Espanha.

No Norte do país, a APA considera que a situação no Douro está, para já, controlada, embora existam áreas mais vulneráveis, como Peso da Régua, Amarante, Chaves e a foz do rio, no eixo Porto–Gaia. Em Amarante, o rio chegou a galgar ligeiramente as margens, mas sem necessidade de retirar populações, graças a uma operação de gestão de caudais considerada inédita, que envolveu a transferência de água entre albufeiras para evitar descargas mais severas no rio Tâmega.

“Fizemos aqui uma ação, diria, inédita”, começou por explicar Pimenta Machado. Confrontados com a necessidade de gerir o caudal, a APA e os gestores das barragens optaram por não libertar água da barragem de Daivões para o rio, o que agravaria a situação em Amarante. “Fechámos esse grupo [em Daivões] e colocámos água nesta barragem superior, a Gouvães, que é noutra bacia, para guardar água aí e depois libertar mais tarde”.

Esta operação de bombagem, que consome energia para elevar a água a uma cota superior, foi decisiva. Segundo o responsável, se tivessem optado pela descarga normal, iriam “aumentar mais 200 metros cúbicos por segundo” no caudal, o que resultaria numa “cheia com maiores danos” na cidade de Amarante. Graças a esta gestão, e ao abaixamento preventivo da barragem do Torrão (a jusante), o rio apenas “saltou ligeiramente aqui em Amarante”, sem causar os estragos temidos.

A principal preocupação no país é, segundo o reponsável, o Tejo devido à chuva intensa registada em zonas como Santarém e Almeirim, bem como às descargas provenientes do território espanhol. Também as bacias do Mondego e do Vouga estão a ser monitorizadas de forma permanente, dado o histórico de cheias nestas regiões. No caso do Guadiana, a situação é acompanhada com especial atenção devido ao aviso laranja emitido em Espanha, prevendo-se um aumento dos caudais a entrar em Portugal.

Nas bacias do Cávado, Lima e Minho, apesar do elevado volume de água em circulação, não se registam danos relevantes, resultado de uma estratégia de cheias controladas através da gestão das barragens.

José Pimenta Machado alertou, no entanto, que a sucessão de episódios de mau tempo está a reduzir a capacidade de resposta, uma vez que os solos se encontram totalmente saturados, fazendo com que qualquer nova precipitação se transforme rapidamente em escoamento. Segundo o presidente da APA, existe apenas uma curta janela de preparação entre domingo e segunda-feira, antes da chegada de uma nova depressão prevista para terça-feira.

O responsável sublinhou ainda a importância da articulação permanente com Espanha nas bacias internacionais, como o Tejo, Guadiana e Douro, onde a troca de informação é feita de forma contínua para minimizar o impacto das descargas a jusante.

Nas últimas horas, foram libertados cerca de 750 hectómetros cúbicos de água das albufeiras, um volume equivalente ao consumo anual de água da população portuguesa, com o objetivo de criar capacidade para encaixar os picos de precipitação e evitar cheias descontroladas.

Apesar de admitir que o período mais crítico ainda não terminou, o presidente da APA mostrou-se confiante na capacidade de resposta das entidades envolvidas e apelou ao acompanhamento dos avisos da Proteção Civil. A situação deverá começar a aliviar apenas a partir do dia 15, mantendo-se até lá um cenário de elevada vigilância.

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