CULTURA. A Casa da Granja – Espaço Cultural e Museológico, em Amarante, inaugura no próximo dia 21 de fevereiro, às 16h00, a exposição de fotografia “Pejão, Vinte Anos Depois”, iniciativa que inclui também a apresentação do livro homónimo do fotógrafo Pereira Lopes.

A mostra ficará patente ao público até 17 de abril de 2026, nos espaços de exposições temporárias daquele equipamento cultural, e conta com curadoria de Verónica Teixeira Pinto.
O projeto parte do encerramento das Minas do Pejão, em Castelo de Paiva, que fecharam portas a 31 de dezembro de 1994, após 108 anos de atividade contínua. Considerada a mais importante exploração de carvão da Bacia Carbonífera do Douro, a mina marcou profundamente a identidade da região. O seu encerramento teve forte impacto social e económico, deixando centenas de pessoas no desemprego numa zona fortemente dependente daquela atividade.
Vinte anos após o fecho, Pereira Lopes decidiu regressar ao território para reencontrar antigos mineiros e outros trabalhadores ligados à exploração. O resultado é um conjunto de retratos e testemunhos que cruzam memória, identidade e pertença.
“Fui à procura do património humano. Dos homens e mulheres que lá trabalharam. Quem eram? Qual era a sua função? Vinte anos volvidos, o que fazem?”, escreve o autor. O fotógrafo fala de histórias, lamentos, reencontros e lágrimas, sublinhando que muitos dos retratados não voltaram a entrar nas minas desde o seu encerramento.
Natural do Porto (1955) e residente em Avintes desde a infância, Pereira Lopes começou a fotografar de forma sistemática em 2005. Ao longo do seu percurso participou em exposições coletivas e individuais, publicou trabalhos em livro e expôs em Portugal e no estrangeiro. Integra o coletivo Halo, organiza o PicNic’Arte e é responsável pelo iNstantes – Festival Internacional de Fotografia de Avintes.
A exposição “Pejão, Vinte Anos Depois” apresenta-se, assim, como um exercício de memória coletiva e de preservação de um património humano que marcou gerações.




