O Município de Baião e a Unidade Local de Saúde do Tâmega e Sousa (ULS Tâmega e Sousa) apresentaram esta terça-feira a nova valência de medicina dentária da Unidade Móvel de Saúde do concelho, numa iniciativa pioneira a nível nacional no âmbito do Serviço Nacional de Saúde (SNS). A medida visa reforçar a proximidade e garantir cuidados de saúde oral a utentes referenciados pelo Centro de Saúde, em especial pessoas com dificuldades de mobilidade ou acesso aos serviços.

A secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, sublinhou a importância do projeto para promover a equidade no acesso à saúde: “O SNS existe para servir e cuidar das pessoas. Este modelo responde às necessidades de quem vive mais distante e reforça a articulação entre cuidados de saúde, ULS e poder autárquico”, afirmou. Ana Povo anunciou ainda que a nova portaria do Programa Nacional de Saúde Oral será publicada até 19 de março.

Para Ana Raquel Azevedo, presidente da Câmara de Baião, a introdução da valência representa “uma oportunidade de garantir que todos, mesmo aqueles com dificuldades financeiras ou de mobilidade, possam aceder aos cuidados de saúde”. A autarca destacou a colaboração entre município e ULS como um “triângulo perfeito” para levar serviços diretamente à população.

A Coordenadora do ACES Tâmega, Cristina Moniz, destacou que a resposta da Unidade Móvel é essencial num concelho geograficamente disperso e com população envelhecida, sendo uma forma de aproximar os cuidados de saúde dos utentes e melhorar a literacia em saúde. A enfermeira Anabela Pereira, responsável pela implementação do serviço, afirmou que este é um “sonho concretizado” após dois anos de esforço para viabilizar a medicina dentária na unidade móvel.

O serviço terá inicialmente um dia fixo por mês para atendimento na Unidade Móvel, com prioridade para pessoas acamadas ou com mobilidade reduzida, sempre mediante referência do Centro de Saúde. O dentista Pedro Moreira explicou que será possível realizar restaurações, extrações, limpezas e alguns tratamentos endodônticos no local, e que, quando necessário, os utentes serão encaminhados para unidades fixas.

A iniciativa reforça a estratégia de descentralização das consultas em Baião, que já contempla áreas como urologia e psiquiatria, e poderá servir de modelo para replicação noutros municípios com baixa densidade populacional, especialmente em territórios distantes dos grandes centros urbanos.


