Faleceu aos 90 anos Mário Zambujal, figura marcante da literatura e do jornalismo em Portugal, conhecido pelo seu estilo irreverente, conciso e expressivo, e pelo humor e espírito “desalinhado” que sempre marcaram a sua vida.

Nascido em Moura, Beja, em 1936, estreou-se na ficção em 1980 com Crónica dos Bons Malandros, um êxito imediato de vendas que foi adaptado ao cinema em 1984 por Fernando Lopes e deu origem, décadas depois, a uma série televisiva da RTP em 2020, além de vários espetáculos. O romance, centrado num assalto ao Museu Gulbenkian, consolidou o seu estilo característico: narrativas curtas, claras, concisas, mas inventivas e plásticas.
Após publicar História do Fim da Rua (1983) e À Noite Logo Se Vê (1986), Zambujal regressou em 2003 com títulos aclamados como Fora de Mão, Já Não se Escrevem Cartas de Amor, Uma Noite Não São Dias, Cafuné, Romão e Juliana. O seu livro mais recente, O Último a Sair, foi lançado no ano passado, reforçando a vitalidade criativa do autor até aos últimos anos de vida. O percurso literário de Zambujal foi homenageado em 2020 pelo Festival Escritaria, em Penafiel.
Paralelamente à literatura, Zambujal teve uma carreira consolidada no jornalismo. Trabalhou em diversos órgãos de comunicação, como Record, A Bola, O Século, Diário de Notícias, e foi diretor do Se7e e do Tal&Qual. Na RTP, apresentou o programa Grande Encontro, e na rádio participou em programas como Pão com Manteiga, na Rádio Comercial, com Carlos Cruz, evidenciando a sua versatilidade e contributo cultural.
Fiel às suas rotinas e à boa companhia, nunca dispensou o almoço semanal da tertúlia “Os empatados da vida”, regado com vinho, whisky ou aguardente e acompanhado de doce na sobremesa. Apesar de doente nos últimos anos, manteve sempre o humor e a irreverência que marcaram toda a sua vida.
Mário Zambujal deixa um legado literário e jornalístico que atravessa gerações, combinando crítica social, humor, malandrice e uma visão única da vida portuguesa.


