O município de Baião acaba de inaugurar, a reconversão da antiga escola primária de Almofrela transformando o edifício num centro multifuncional destinado a dinamizar a comunidade, atrair visitantes e reforçar a estratégia de desenvolvimento sustentável em meio rural.
Localizado na Serra da Aboboreira, o equipamento resulta de uma intervenção que triplicou a área útil original, passando a dispor de 278 metros quadrados, e foi concebido para acolher um conjunto diversificado de valências, desde serviços digitais e espaços de trabalho colaborativo até atividades culturais, científicas e turísticas.
A presidente da Câmara Municipal de Baião destacou o carácter inovador do projeto, sublinhando que “não se trata de um espaço com uma função única, mas de um equipamento flexível, pensado para responder a diferentes necessidades e capaz de acolher projetos variados, desde iniciativas locais a parcerias mais amplas”. A autarca acrescentou que o objetivo passa por criar “um ponto de encontro entre entidades, um espaço de trabalho e também um motor de desenvolvimento para a aldeia e para toda a serra”, reforçando a ideia de que a aposta na multifuncionalidade é essencial para garantir a vitalidade dos territórios de baixa densidade.

O projeto representou um investimento de cerca de 400 mil euros e integra um plano global de 1,5 milhões de euros financiado pelo programa INTERREG Espanha-Portugal, no âmbito da iniciativa “País Ativo”, que envolve parceiros portugueses e galegos. Entre os objetivos centrais estão a promoção da resiliência dos territórios rurais, nomeadamente face ao risco de incêndios, a recuperação de áreas abandonadas e o desenvolvimento de novos modelos de gestão integrada da paisagem.
Durante a cerimónia, foi também sublinhada a importância da cooperação transfronteiriça. Representantes das entidades parceiras destacaram que o projeto resulta de um esforço conjunto entre Portugal e Galiza para “repensar o futuro do mundo rural”, apostando na partilha de conhecimento, na experimentação de soluções inovadoras e na criação de redes de colaboração capazes de gerar impacto a longo prazo.

A Direção-Geral do Território salientou, por sua vez, que iniciativas como esta demonstram a importância de envolver as comunidades locais na definição das políticas públicas, defendendo que “não é possível planear o território sem ouvir as pessoas e sem compreender as suas dinâmicas”. A entidade considera que o projeto constitui um exemplo de boas práticas a nível nacional e europeu, ao articular conhecimento técnico, participação local e cooperação internacional.

Já o presidente da CIM Tâmega e Sousa destacou o carácter diferenciador da região, que conjuga uma forte base industrial com vastas áreas rurais, defendendo que projetos como o de Almofrela representam “uma visão de futuro baseada na sustentabilidade e na valorização dos recursos endógenos”. O responsável sublinhou ainda que estes investimentos permitem “trazer pessoas de diferentes geografias ao território, dar a conhecer a cultura, a gastronomia e, sobretudo, as comunidades locais”.

O novo centro multifuncional assume-se, assim, como um espaço de interpretação da aldeia e da serra, com capacidade para acolher investigadores, turistas e iniciativas ligadas ao desporto de natureza, ao património e à economia local. A sua localização estratégica, próxima de importantes sítios arqueológicos e integrada num território com forte potencial turístico, reforça a ambição de afirmar Almofrela como destino de referência.

A intervenção insere-se numa estratégia mais ampla do município de Baião para a revitalização das aldeias, que inclui também a recuperação de outras antigas escolas para diferentes fins, nomeadamente habitação e equipamentos comunitários, no âmbito de programas como a Estratégia Local de Habitação. A autarquia admite que existem ainda vários edifícios escolares devolutos que poderão ser alvo de requalificação futura, reforçando a aposta na reutilização do património existente.

Paralelamente, estão em curso outras iniciativas no concelho, como a implementação de “condomínios de aldeia”, que visam promover a gestão ativa da paisagem, reduzir o risco de incêndio e incentivar atividades agrícolas e florestais sustentáveis. Estas medidas articulam-se com a estratégia regional da CIM Tâmega e Sousa, que tem vindo a promover projetos de valorização do território e de reforço da sua competitividade.

No conjunto, o projeto de Almofrela surge como um exemplo de intervenção integrada, que alia reabilitação do património, inovação social e cooperação internacional, procurando criar novas oportunidades para os territórios rurais e contribuir para a sua sustentabilidade a longo prazo.
A sessão inaugural, que terminou com uma visita às novas instalações, incluiu também a apresentação de duas novas apostas do concelho nas áreas do turismo e do desporto: o Programa Municipal de Caminhadas e o Centro Cyclin de Baião, situado nas proximidades do Centro Hípico e da escola de Almofrela.
Intercâmbio com Galiza impulsiona inovação rural em Baião
A participação da Galiza no projeto destacou-se sobretudo pelo forte intercâmbio de experiências e conhecimento entre territórios com desafios semelhantes. Através de entidades como a Agência Galega de Desenvolvimento Rural, foram partilhadas práticas concretas de gestão ativa do território, recuperação de áreas abandonadas e valorização dos recursos locais, num processo de aprendizagem mútua.
Os parceiros galegos sublinharam a importância deste trabalho em rede, defendendo que o envolvimento das comunidades na construção das soluções é determinante para garantir resultados sustentáveis. “É fundamental apostar em estratégias de longo prazo que combinem desenvolvimento económico, sustentabilidade ambiental e coesão social”, referiu Mar Pereira Álvarez, subdiretora de Promoción Internacional e Rural Intelixente da Axencia Galega de Desenvolvimento Rural.
Mais do que uma simples transferência de conhecimento, este intercâmbio permitiu adaptar metodologias à realidade do concelho de Baião, reforçando a cooperação transfronteiriça e criando bases para futuras iniciativas conjuntas. Entre estas, destaca-se a ligação entre Almofrela e a aldeia de Infesta, no concelho de Monterrei, território reconhecido pelo seu património histórico, como o castelo medieval, e pela sua tradição vitivinícola.


