A CONFAGRI considera insuficiente o pacote de medidas aprovado pelo Governo para mitigar a subida dos combustíveis, defendendo que não compensa os agricultores nem reduz a desvantagem face a Espanha.
Em reação às medidas aprovadas em Conselho de Ministros, a CONFAGRI alertou que o apoio de 10 cêntimos por litro no gasóleo agrícola é “manifestamente insuficiente” para responder ao aumento dos custos de produção no setor agroalimentar.

Segundo a confederação, o preço do combustível agrícola subiu cerca de 42 cêntimos por litro no início do mês, agravando a pressão sobre os produtores nacionais, num contexto em que Espanha avançou com um desconto de 20 cêntimos por litro e um pacote de apoio à agricultura estimado em 877 milhões de euros.
Para a organização, esta diferença de medidas acentua o desequilíbrio competitivo entre os dois países, penalizando os agricultores portugueses.
O presidente da CONFAGRI, Idalino Leão, reiterou que a competitividade do setor agroalimentar depende da existência de condições equivalentes no espaço ibérico, sobretudo ao nível dos custos energéticos.
“É inaceitável que o Governo continue sem adotar medidas coerentes, céleres e eficazes que aliviem os encargos com combustíveis e energia”, afirmou.
As críticas foram reforçadas durante o encerramento do seminário “A Nova Política Agrícola Europeia: Desafios e Perspetivas para Portugal”, integrado na AGRO – Feira Internacional de Agricultura, Pecuária e Alimentação, onde Idalino Leão alertou para a situação do setor.
“Existe um Portugal agroalimentar que está, neste momento, absolutamente asfixiado, sendo necessárias medidas urgentes para o salvaguardar”, sublinhou, defendendo que o país deve acompanhar as respostas adotadas por Espanha ou retomar apoios semelhantes aos implementados em anos anteriores.
A CONFAGRI insiste que, sem medidas mais robustas, o setor continuará a enfrentar dificuldades acrescidas, com impacto direto na produção e na sustentabilidade económica das explorações agrícolas.


