O MIMO Festival prepara uma nova etapa em Portugal, marcando o regresso ao norte do país — mas fora de Amarante, cidade que o acolheu durante vários anos e onde entrou pela primeira vez em território nacional. Em 2026, o evento realiza-se em Guimarães,

assinalando mais uma mudança de localização que reflete um percurso recente marcado por reconfigurações e desacordos institucionais.Depois de se afirmar como um dos eventos culturais mais relevantes do verão português em Amarante — a chamada “Princesa do Tâmega” — o festival acabou por abandonar a cidade na sequência da pandemia e de divergências entre a organização, liderada por Lu Araújo, e o município local.Durante esse período conturbado, o MIMO chegou a realizar-se no Porto, numa solução transitória. No entanto, uma decisão judicial veio mais tarde obrigar o regresso a Amarante, permitindo cumprir os dois anos finais do contrato previamente estabelecido com a autarquia.
Concluído esse ciclo, o festival volta agora a mudar de casa, instalando-se em Guimarães — conhecida como “cidade berço” de Portugal — onde decorrerá entre o final de junho e início de julho de 2026.
Apostas fortes para 2026
A edição de 2026 apresenta um cartaz diversificado, reforçando a vocação internacional e a mistura de géneros musicais. Entre os destaques estão nomes como Tricky, figura incontornável do trip-hop, e Daddy G, que se junta a Don Letts para um DJ set especial.O festival aposta também em sonoridades lusófonas e africanas com Oumou Sangaré, Fernanda Abreu e Papillon, além de projetos emergentes e colaborações inéditas.Outras presenças incluem DJ Andy Smith (ex-Portishead), Bianca Gismonti ao lado de Manuel de Oliveira com participação de Ricardo Ribeiro, bem como Alaíde Costa.

O programa inclui ainda cinema, com o Festival MIMO de Cinema, que decorre entre 27 de junho e 2 de julho no Largo Condessa do Juncal, destacando obras como As Aventuras do Angosat, Nova ’78 e A Noite de Alaíde, reforçando a dimensão multidisciplinar do evento.Com entrada gratuita, o MIMO procura assim consolidar-se em Guimarães, depois de um percurso marcado por mudanças e polémicas, apostando numa programação ambiciosa para conquistar novo público sem perder a identidade que o tornou um fenómeno cultural em Portugal.


