Projeto quer acelerar digitalização da construção no Tâmega e Sousa

A Associação Empresarial de Vila Meã (AEVM) apresentou, em Amarante, o projeto ConstróiTech-TS, uma iniciativa destinada a promover a transformação digital das empresas do setor da construção no Tâmega e Sousa.

A sessão decorreu nas instalações do Cenfim e reuniu empresários, entidades parceiras e representantes institucionais. O projeto será desenvolvido durante os próximos 24 meses em parceria com a Universidade Portucalense e prevê ações de sensibilização e capacitação, diagnósticos de maturidade digital, apoio à inovação e um programa de aceleração direcionado para a Construção 4.0.

Durante a apresentação, a coordenadora do projeto, Rosário Meneses, divulgou os resultados de um diagnóstico realizado junto de 20 pequenas e médias empresas da região. Segundo os dados apresentados, 92% das empresas inquiridas não dispõem de recursos dedicados às tecnologias de informação ou à transformação digital e 70% indicaram que entre 75% e 100% dos seus processos continuam a ser executados manualmente.

“O objetivo é envolver empresas, parceiros e associações para que possamos dar um salto ao nível da transformação digital, que mais não é do que disponibilizar ferramentas para trabalhar melhor”, afirmou Rosário Meneses.

A vice-presidente da AEVM, Celma Pinheiro, destacou a importância económica do tecido empresarial da região e enquadrou o projeto na estratégia de apoio às empresas.

“O Tâmega e Sousa é uma região profundamente empreendedora. A missão da AEVM continua a ser apoiar este tecido económico, defender os seus interesses e contribuir para que os agentes económicos tenham melhores condições para competir, inovar e crescer”, referiu.

Também presente na sessão, Paulo Morais, diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia da Universidade Portucalense, defendeu que a digitalização deve ser encarada como uma ferramenta de gestão e eficiência.

“Quando falamos de digitalização na construção não estamos a falar de uma moda. Estamos a falar de acrescentar valor, reduzir o erro e permitir melhor decidir”, afirmou, acrescentando que “a tecnologia por si só não resolve os problemas da construção, se for mal escolhida ou mal implementada pode ser apenas mais um custo”.

O responsável considerou ainda que as empresas devem começar por identificar os pontos onde perdem tempo, margem e controlo operacional antes de avançarem para investimentos tecnológicos.

A sessão contou também com a participação de Cristina Sanches, do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), que abordou os mecanismos de apoio à contratação de pessoas com deficiência e incapacidade.

O vereador da Tecnologia e Inovação da Câmara Municipal de Amarante, Fernando Moura e Silva, marcou igualmente presença no encontro e destacou a importância da ligação entre o tecido empresarial e as instituições de ensino superior.

O primeiro workshop do projeto ConstróiTech-TS está agendado para 15 de junho, na empresa JMM Demolições, em Penafiel. A ação pretende abordar os desafios e oportunidades da transição digital no setor da construção, numa iniciativa dirigida às pequenas e médias empresas da região.

O projeto é cofinanciado pelo COMPETE 2030, Portugal 2030 e União Europeia.

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