Experiência imersiva levou participantes numa viagem pela história monástica
O Mosteiro de Santo André de Ancede foi palco da primeira edição da Ceia Conventual, uma iniciativa cultural que transportou dezenas de participantes para o universo monástico medieval através de uma experiência que conjugou património, gastronomia, teatro, música e recriação histórica.

Integrada na estratégia de dinamização do MACC – Mosteiro de Ancede Centro Cultural, a iniciativa transformou um dos mais emblemáticos monumentos de Baião num cenário vivo de evocação histórica, proporcionando uma viagem sensorial inspirada nos rituais e costumes de séculos passados.
A experiência teve início com a receção dos participantes, que envergaram trajes de inspiração medieval antes de percorrerem diferentes espaços do mosteiro. A visita à Capela do Bom Despacho marcou um dos primeiros momentos da noite, introduzindo os visitantes na dimensão espiritual que caracterizou a vivência monástica ao longo dos séculos.

A recriação histórica esteve a cargo do grupo Bai’o Teatro, que conduziu os presentes por diferentes momentos da vida conventual, através de uma narrativa onde se cruzaram elementos históricos, simbólicos e dramáticos.
Antes do início da refeição, os participantes assistiram à tradicional lavagem das mãos e participaram num momento de oração na Sala “De Profundis”, recriando práticas associadas às comunidades religiosas da época.

O ponto alto da iniciativa foi a Ceia Conventual, durante a qual gastronomia, música e representação se fundiram numa experiência imersiva. O menu incluiu sopa de urtigas e rojões com castanhas, recriando sabores inspirados na alimentação medieval e recordando um período anterior à introdução da batata na Europa.
Ao longo da refeição, os elementos do Coro Voces Verbis surgiram caracterizados como monges e integraram a própria encenação, contribuindo para reforçar o ambiente de autenticidade. O grupo interpretou ainda várias peças musicais que acompanharam os diferentes momentos da ceia, criando uma atmosfera contemplativa e cerimonial.

Entre os episódios mais marcantes da noite destacou-se o momento do “Pagamento das Rendas”, protagonizado pelos “Três Irmãos”, personagens que trouxeram humor, histórias e canções ao serão. A interação constante com os participantes ajudou a criar um ambiente de proximidade e espontaneidade, enriquecendo a experiência.
O encerramento decorreu no claustro do mosteiro, onde o coro proporcionou um momento mais intimista antes da realização de uma queimada simbólica, ritual que reuniu fogo, tradição e palavra para assinalar o final da iniciativa.

Entre os presentes estiveram a vereadora da Cultura, Olívia Mendes, e a presidente da Câmara Municipal de Baião, Ana Raquel Azevedo, que destacou o caráter inovador da iniciativa e a sua capacidade para atrair visitantes de diferentes regiões do país.
Segundo a autarca, “a elevada participação demonstra o crescente interesse por experiências culturais imersivas e reforça o papel do MACC na valorização do património local, na promoção da identidade cultural do concelho e na afirmação de Baião como um destino de referência no panorama cultural regional”.



