O som das cantigas tradicionais voltou a ecoar pelos campos de Celorico de Basto, onde cerca de meia centena de idosos participou numa recriação da ceifa do centeio promovida pelo projeto Celorico a Mexer, em parceria com o programa CLDS 5G Celorico+ Social.

Ao final da tarde, quando o calor deu lugar a uma brisa mais suave, homens e mulheres empunharam as foices e regressaram, por algumas horas, a um tempo em que os dias eram marcados pelo ritmo das colheitas, pelo trabalho duro e pela entreajuda entre vizinhos.

Mais do que uma atividade de animação, a iniciativa transformou-se numa viagem pela memória coletiva de uma comunidade profundamente ligada à terra. Muitos dos participantes viveram durante décadas estas jornadas agrícolas, recordando gestos que o tempo não apagou e saberes que continuam vivos nas suas mãos.

A ceifa decorreu ao som de músicas populares, recriando o ambiente que outrora acompanhava os trabalhos agrícolas. Entre conversas, sorrisos e recordações, não faltaram histórias de tempos em que os campos reuniam famílias inteiras e a colheita era também um momento de convívio e partilha.

Presente na iniciativa, o vereador da Ação Social da Câmara Municipal de Celorico de Basto, José Sousa, destacou a importância de preservar estas tradições.
“Viver a ruralidade com entusiasmo é uma marca identitária do nosso território e que muito nos dignifica. Muitos dos nossos idosos têm memórias destes momentos, memórias que devem ser preservadas, valorizadas e projetadas para as gerações vindouras. O orgulho das nossas raízes contribui para o nosso progresso e para a coesão das nossas comunidades”, afirmou.

Após cerca de duas horas de atividade, a recriação terminou como mandava a tradição: à mesa. A merenda reuniu participantes e organizadores num ambiente de confraternização, onde não faltaram algumas das iguarias mais características da região. Entre elas, o inevitável bacalhau frito, presença habitual nas refeições comunitárias que durante gerações acompanharam os trabalhos do campo.

Entre memórias recuperadas e histórias partilhadas, a recriação da ceifa do centeio voltou a mostrar que as tradições continuam a ser uma ponte entre o passado e o presente, mantendo viva uma herança que ajudou a moldar a identidade de Celorico de Basto.


