Mais de 300 cães estão a ser retirados de uma casa, em Amarante. Estavam presos, sem condições de higiene, na moradia onde eram criados para serem vendidos on-line. A proprietária da casa foi constituída arguida por suspeita de maus-tratos a animais.

Mais de 300 cães estão a ser retirados de uma alegada exploração ilegal de reprodução e comércio de animais, em Amarante, numa operação conjunta que envolveu a Guarda Nacional Republicana (GNR), a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), serviços veterinários municipais, ASAE, Proteção Civil e associações de defesa animal.

A ação, descrita pelos intervenientes como a maior operação de resgate de animais de companhia realizada em Portugal, decorre ao longo das últimas 24 horas e permitiu retirar centenas de cães de pequeno porte, de raças frequentemente procuradas no mercado de animais de companhia, entre as quais yorkshire terrier, pinscher, bulldogue francês e cavalier king charles spaniel. A proprietária da casa foi constituída arguida por suspeita de maus-tratos a animais.
O presidente da Câmara de Amarante, Jorge Ricardo, descreveu a situação como “um perigo para a saúde pública”. Jorge Ricardo, referiu que as autoridades estão a investigar o caso e que não estando o espaço a cumprir todas as condições que legalmente são exigidas, como licenciamento, o encerramento desse mesmo espaço será uma das consequências.
No âmbito das competências da câmara, o autarca informou que o espaço, localizado na freguesia de Mancelos, tinha licenciamento para habitação.“Quanto ao resto não temos conhecimento”, sublinhou.
Jorge Ricardo disse ter ficado preocupado e até admirado “pelo secretismo desta atividade” que envolvia um número avultado de animais.
“Daí a estupefação para todos nós, como é que era exercida esta atividade naquelas condições. É efetivamente um caso que dá para pensar”, apontou.
Segundo informações divulgadas pela associação IRA – Intervenção e Resgate Animal, os animais encontravam-se concentrados em instalações utilizadas para reprodução intensiva, alegadamente destinadas à comercialização através de plataformas online e outros canais de venda.

A operação teve início com a identificação de cerca de 250 animais, mas as equipas acabariam por localizar um segundo espaço na mesma propriedade, elevando para mais de 300 o número total de cães retirados.
As autoridades e entidades envolvidas encontram-se agora a proceder à identificação, avaliação clínica e encaminhamento dos animais. Muitos necessitam de cuidados veterinários, alimentação adequada e acompanhamento especializado após terem permanecido longos períodos em condições consideradas inadequadas.

A dimensão da operação obrigou à mobilização de meios excecionais e ao envolvimento de diversas associações zoófilas para assegurar o acolhimento temporário dos animais. A capacidade das estruturas de abrigo disponíveis revelou-se insuficiente para responder de imediato ao elevado número de cães resgatados.
Nas horas que se seguiram à intervenção, foram lançados apelos à população para acolhimento temporário e apoio logístico, nomeadamente através da disponibilização de espaços, alimentação e assistência veterinária.

A investigação prossegue agora para apurar as circunstâncias em que os animais eram mantidos e a eventual existência de infrações relacionadas com a reprodução, detenção e comercialização de animais de companhia.
Para as entidades envolvidas, a operação representa um dos maiores desafios alguma vez enfrentados na área do bem-estar animal em Portugal, não apenas pelo número de animais resgatados, mas também pela complexidade logística associada ao seu transporte, tratamento e realojamento.

Enquanto decorrem as diligências, os mais de 300 cães começam um processo de recuperação que poderá prolongar-se por várias semanas, numa operação que mobiliza dezenas de profissionais e voluntários de norte a sul do país.

