Hospital Padre Américo realizou a primeira cirurgia robótica da sua história, tornando-se uma das unidades do Serviço Nacional de Saúde a integrar esta tecnologia na prática clínica. A intervenção inaugural consistiu num bypass gástrico e marca o arranque de uma nova valência cirúrgica destinada, numa primeira fase, ao tratamento da obesidade e do cancro gástrico.

A introdução da cirurgia robótica representa um reforço da diferenciação assistencial da unidade hospitalar, que passa a dispor de uma tecnologia utilizada em procedimentos de elevada complexidade, onde a precisão cirúrgica desempenha um papel determinante na redução da agressividade da intervenção e na recuperação dos doentes.
Ao contrário da cirurgia convencional, o sistema robótico permite ao cirurgião operar a partir de uma consola, comandando instrumentos articulados capazes de reproduzir os movimentos da mão humana com maior amplitude, estabilidade e precisão, beneficiando ainda de visão tridimensional de alta definição do campo operatório.

Segundo a ULS do Tâmega e Sousa, a tecnologia revela particular utilidade em cirurgias bariátricas e oncológicas do aparelho digestivo, permitindo uma disseção mais rigorosa dos tecidos e uma reconstrução anatómica mais precisa. A literatura científica aponta ainda para vantagens em doentes criteriosamente selecionados, nomeadamente menor perda de sangue, redução da dor pós-operatória, menor incidência de complicações, recuperação funcional mais rápida e diminuição do tempo de internamento.
A implementação do programa foi antecedida por um processo de preparação clínica e técnica das equipas multidisciplinares envolvidas. Cirurgiões, anestesiologistas, enfermeiros e assistentes operacionais realizaram formação específica e treino dedicado à utilização do sistema robótico, garantindo o cumprimento dos requisitos de segurança e qualidade exigidos para este tipo de procedimentos.

Em comunicado, o presidente do Conselho de Administração da ULS do Tâmega e Sousa, José Luís Gaspar, considera que a estreia da cirurgia robótica constitui “um marco na história da instituição” e traduz a aposta na inovação tecnológica e na qualificação dos cuidados prestados.

O responsável salienta ainda que a disponibilidade desta tecnologia permitirá que um maior número de utentes da região tenha acesso a tratamentos altamente diferenciados sem necessidade de ser encaminhado para centros hospitalares de maior dimensão.
A introdução da cirurgia robótica integra a estratégia de modernização da ULS do Tâmega e Sousa e acompanha uma tendência crescente de adoção desta tecnologia nos hospitais portugueses, sobretudo em especialidades como cirurgia geral, urologia, ginecologia e cirurgia oncológica, onde os ganhos de precisão e ergonomia têm contribuído para alargar as possibilidades da cirurgia minimamente invasiva.


