A obstetra e ginecologista Purificação Araújo, reconhecida como uma das principais impulsionadoras do planeamento familiar em Portugal, morreu na quarta‑feira, em Lisboa, aos 99 anos. O funeral realiza‑se no sábado, informou fonte familiar.

Maria da Purificação Araújo nasceu em Lisboa a 5 de novembro de 1926 e morreu na sua casa, no Campo Grande. A família sublinha o papel que desempenhou como defensora pública dos direitos das mulheres e como figura central na implementação de políticas de saúde materna.
Ao longo da carreira, esteve “na linha da frente” da criação do Serviço de Saúde Materna da Direção‑Geral da Saúde e da introdução do planeamento familiar nos hospitais e centros de saúde, numa altura em que o uso de métodos contracetivos enfrentava forte resistência. Entre as contribuições que a própria destacava estão o teste de Papanicolau, a contraceção e a humanização do trabalho de parto.
Licenciada pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, com pós‑graduação em obstetrícia e ginecologia, especializou‑se também em saúde materna e planeamento familiar. Trabalhou para reduzir a mortalidade materna e perinatal, apoiou mulheres perseguidas pelo Estado Novo e integrou, nos anos 1970, o projeto de expansão do planeamento familiar no país.
Em 1971, enquanto chefe do Serviço de Saúde Materna da DGS, foi uma das responsáveis pela integração do planeamento familiar nos Centros de Saúde e pela promoção da pílula. Após o 25 de Abril, participou na introdução do teste de rastreio do cancro do colo do útero.
Segundo a família, Purificação Araújo era apreciadora de música clássica e tinha gosto especial por rosas vermelhas e violetas.
O corpo estará na igreja do Campo Grande a partir das 17h de sexta‑feira. O funeral realiza‑se no sábado, às 11h, para o cemitério do Lumiar.


