O Hospital São Gonçalo, em Amarante, vai ser intervencionado através de um investimento superior a 14 milhões de euros, permitindo aumentar a capacidade de internamento em 150 camas. A autorização para a obra foi publicada esta semana em Diário da República, num passo que a Câmara Municipal considera decisivo para recuperar a capacidade assistencial daquela unidade de saúde.

A empreitada de ampliação do serviço de internamento do Hospital São Gonçalo está avaliada em 14.033.833,29 euros e permitirá passar das atuais 60 camas para um total de 210.
O presidente da Câmara Municipal de Amarante, Jorge Ricardo, considera que esta decisão responde a uma reivindicação antiga do município, defendendo que o hospital deve voltar a assumir um papel central na resposta às necessidades de saúde da região do Tâmega e Sousa.
“É um primeiro grande passo para termos mais serviços, mais cuidados e melhor saúde em Amarante”, afirmou o autarca, sublinhando que a unidade “tem capacidade para corresponder às necessidades da população”, mas que nos últimos anos “foi totalmente esvaziada” de serviços.
Para Jorge Ricardo, o aumento da capacidade de internamento terá de ser acompanhado pelo reforço de equipamentos e recursos humanos, mas representa uma mudança significativa na estratégia para o hospital.
“Ninguém vai investir uma quantia tão significativa se não for para dotar depois o hospital dos meios necessários para prestar os cuidados de saúde adequados”, afirmou.
Reforço responde a défice de camas na região
O autarca recorda que a região do Tâmega e Sousa apresenta um défice significativo no número de camas hospitalares por habitante, comparativamente à média nacional.
Segundo Jorge Ricardo, enquanto a média nacional ronda as 2,3 camas por mil habitantes, a região apresentava um rácio de apenas 0,9 camas por mil habitantes.
O aumento previsto no Hospital São Gonçalo surge também em articulação com o reforço anunciado para o Hospital Padre Américo, em Penafiel, que deverá ganhar mais 50 camas, contribuindo para aumentar a capacidade global da Unidade Local de Saúde (ULS) do Tâmega e Sousa.
Câmara destaca nova estratégia da administração
O presidente da Câmara de Amarante atribui parte deste avanço à nova visão da administração da Unidade Local de Saúde do Tâmega e Sousa, liderada por José Luís Gaspar, antigo presidente da autarquia.
“Há aqui um novo olhar sobre a capacidade do Hospital de Amarante”, afirmou Jorge Ricardo, destacando também o investimento recente em equipamentos e serviços.
Entre as alterações já concretizadas, o autarca aponta o alargamento do horário de colheitas laboratoriais, que passou a funcionar até à meia-noite, evitando deslocações para o Hospital Padre Américo durante o período noturno.
A autarquia tem defendido, ao longo dos últimos anos, a recuperação da vocação do Hospital São Gonçalo, após a reorganização dos serviços de saúde na região ter reduzido a sua capacidade de resposta.
Com a ampliação do internamento, Jorge Ricardo acredita que os amarantinos poderão voltar a confiar naquela unidade hospitalar.
“Os amarantinos esperam que este hospital tenha mais respostas, com mais camas, mais equipamentos e, depois, naturalmente, com mais recursos humanos”, afirmou.
A obra integra uma estratégia mais ampla de reforço da capacidade da Unidade Local de Saúde do Tâmega e Sousa, numa região onde as entidades de saúde têm identificado limitações face ao crescimento da população servida.


