PJ detém quatro suspeitos por incêndios em Penafiel, Cinfães e Arcos de Valdevez

A Polícia Judiciária (PJ) deteve, nos últimos dois dias, quatro homens suspeitos da autoria de incêndios florestais ocorridos em Penafiel, Cinfães e Arcos de Valdevez, investigações que apontam para diferentes causas, desde a utilização de maquinaria pesada até ao recurso deliberado a um isqueiro para provocar uma ignição.

O caso de maior dimensão ocorreu em Duas Igrejas, no concelho de Penafiel, onde dois homens, de 54 e 56 anos, foram detidos pela Diretoria do Norte da PJ, com a colaboração do Grupo de Trabalho de Redução de Ignições – Norte Litoral, por suspeitas de um crime de incêndio florestal relacionado com o fogo que deflagrou no passado domingo, 27 de julho.

Segundo a investigação, o incêndio terá tido origem durante trabalhos realizados com maquinaria pesada numa pedreira situada junto à mancha florestal, num dia em que vigorava alerta máximo para o risco de incêndio. As chamas consumiram cerca de 500 hectares de floresta e colocaram em perigo populações, habitações e animais.

Os dois trabalhadores encontravam-se em serviço quando ocorreu a ignição, tendo sido um deles a alertar o 112. Após serem presentes a primeiro interrogatório judicial, ficaram sujeitos à medida de coação de apresentações periódicas em posto policial.

Também esta quinta-feira, a PJ anunciou a detenção de um homem de 60 anos, suspeito de provocar o incêndio registado na terça-feira, 28 de julho, em Ferreiros de Tendais, no concelho de Cinfães.

O fogo consumiu cerca de 1,5 hectares de mato, arbustos e pinhal, ameaçando habitações próximas. A rápida intervenção de populares e bombeiros evitou consequências mais graves, numa altura em que o perigo de incêndio na região se encontrava no nível máximo. O detido será presente a primeiro interrogatório judicial para aplicação das medidas de coação.

Já na quarta-feira, a Polícia Judiciária, através do Departamento de Investigação Criminal de Braga e igualmente com o apoio do Grupo de Trabalho de Redução de Ignições – Norte Litoral, deteve um homem de 35 anos, suspeito de ter ateado um incêndio na freguesia de Prozelo, em Arcos de Valdevez.

De acordo com a PJ, a investigação permitiu reunir fortes indícios de que o suspeito iniciou o fogo com recurso a um isqueiro. A ignição ocorreu numa zona florestal com elevado potencial de propagação, colocando em risco áreas agrícolas, floresta e várias habitações, num período marcado por temperaturas na ordem dos 37 a 38 graus e condições meteorológicas favoráveis à rápida evolução das chamas.

Segundo a investigação, o arguido terá atuado por motivos pessoais e por gostar de assistir às operações de combate aos incêndios, incluindo à atuação dos meios aéreos. Foi presente ao Tribunal Judicial de Arcos de Valdevez para primeiro interrogatório e aplicação das respetivas medidas de coação.

A Polícia Judiciária voltou a alertar para o perigo da utilização de maquinaria junto de áreas florestais em dias de risco muito elevado ou máximo de incêndio, recordando que a produção de faíscas ou calor pode desencadear incêndios de grandes dimensões e originar responsabilidade criminal para os seus autores.

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