Projeto de 3,2 milhões de euros prevê 65 camas, 19 unidades de alojamento e cinco novos postos de trabalho em Fregim. Empreendimento vai ocupar solos integrados na Reserva Agrícola Nacional.
O Ministério da Economia declarou de “relevante interesse público” o projeto para a instalação de um hotel rural de quatro estrelas na Quinta Solar da Pousada, em Fregim, Amarante, permitindo a utilização não agrícola de mais de 14,7 mil metros quadrados de terrenos abrangidos pela Reserva Agrícola Nacional (RAN).

A decisão foi publicada na sexta-feira, 14 de agosto, em Diário da República e abre caminho à concretização de um investimento estimado em 3,2 milhões de euros pela empresa Scof II Investments.
O futuro empreendimento terá capacidade para 65 hóspedes, distribuídos por 19 unidades de alojamento. O projeto prevê seis suítes no solar, quatro suítes, sete moradias e dois apartamentos instalados em edifícios anexos da propriedade.
A intervenção contempla ainda um restaurante, bar, receção, áreas de serviço, espaço para eventos, piscina exterior e estacionamento. A operação será concretizada através da reconstrução e ampliação de edifícios existentes e da recuperação das infraestruturas hidráulicas da quinta.
Património e produção agrícola
Com cerca de 12,77 hectares, a Quinta da Casa da Pousada mantém atualmente uma forte componente agrícola, incluindo produção própria de vinhos e aguardentes, vinha, olival, culturas arvenses e hortícolas.
A propriedade integra um solar, jardins, dez construções destinadas a habitação e apoio à atividade agrícola, piscina, espigueiro e um conjunto de estruturas hidráulicas, entre canais, minas, represas, tanques, lagos e um moinho.
O projeto turístico prevê a adaptação de parte deste património, procurando manter a identidade e a vocação agrícola da quinta, ao mesmo tempo que introduz uma nova utilização turística.
Foi precisamente esta conjugação de fatores que levou o Turismo de Portugal a emitir parecer favorável, considerando que o empreendimento apresenta “mérito” por aproveitar integralmente um imóvel com valor patrimonial e por promover a gastronomia e os vinhos.
A Entidade Nacional da Reserva Agrícola também deu parecer favorável, por unanimidade, à utilização dos terrenos abrangidos pela RAN.
Já a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) considerou que o projeto poderá contribuir para o reforço da atividade turística em Amarante, para a criação de emprego e para o desenvolvimento económico da região.
O empreendimento deverá criar cinco novos postos de trabalho.
A decisão do Ministério da Economia reconhece, assim, o interesse público do projeto apesar da afetação de solos agrícolas, permitindo avançar com uma operação que pretende transformar uma propriedade agrícola e patrimonial de Fregim numa nova unidade de turismo rural.


