Novo troço da EN211 liga Quintã, no Marco de Canaveses, a Mesquinhata, em Baião. Investimento ronda os 15 milhões de euros e inclui três viadutos. Governo promete acelerar viaduto sobre a EN211 e admite estudar nova travessia do Tâmega.
Uma ligação rodoviária aguardada há quase três décadas passou esta segunda-feira a ser uma realidade. O prolongamento da variante à EN211 entre Quintã, em Soalhães, Marco de Canaveses, e Mesquinhata, em Baião, foi inaugurado numa cerimónia que juntou responsáveis do Governo, Infraestruturas de Portugal e os municípios dos dois concelhos.

A nova estrada tem cerca de 2,5 quilómetros de extensão, segundo os municípios, e representa um investimento de aproximadamente 15 milhões de euros. A intervenção inclui três viadutos, três passagens superiores, uma passagem agrícola e uma nova rotunda.
Construída num território de orografia acidentada, a infraestrutura exigiu diversas soluções de engenharia e obras de contenção. O novo traçado cria uma alternativa à EN211, procurando retirar tráfego de passagem das localidades e melhorar as condições de circulação e segurança rodoviária.
Para Baião e Marco de Canaveses, a abertura do troço “encerra uma espera que remonta à década de 1990”. A presidente da Câmara de Baião, Ana Raquel Azevedo, lembrou que a ligação à EN211 “era uma reivindicação com décadas e que, durante anos, uma saída inacabada [em Quintã] permaneceu como sinal de uma obra por concluir”.

A autarca defendeu que “melhores acessibilidades” são uma condição “para a competitividade dos territórios do interior”, associando “a redução dos tempos de viagem” à capacidade de “atrair investimento, criar emprego e fixar população”.
Também a presidente da Câmara do Marco de Canaveses, Cristina Vieira, classificou a inauguração como o “resultado de anos de reivindicação” por parte “dos municípios, populações e agentes económicos”. A autarca sublinhou “os ganhos esperados para quem diariamente se desloca para o trabalho, escolas ou serviços de saúde”.
Governo promete avançar com novo viaduto
A cerimónia acabou, contudo, por colocar na agenda outras intervenções rodoviárias consideradas prioritárias pelos dois municípios.
O secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, garantiu que “o Governo pretende avançar rapidamente com o viaduto entre a zona da Ponte de Canaveses e a Avenida dos Bombeiros Voluntários”, uma obra apontada “como forma de aliviar os problemas de circulação existentes na travessia do Tâmega”.

Segundo o governante, existe já um estudo e estão a ser ultimados procedimentos entre a Câmara do Marco de Canaveses e as Infraestruturas de Portugal para que a obra possa avançar.
“Uma nova ponte” sobre o Tâmega terá, por outro lado, de passar por “estudos mais aprofundados, dada a dimensão do investimento e a necessidade de definir a melhor localização e solução técnica”. O Governo “reconhece a importância” da intervenção, “mas não avançou”, nesta fase, com “um calendário para a sua concretização”.
A necessidade de uma nova travessia foi uma das principais reivindicações deixadas pelas autarcas de Baião e Marco de Canaveses. A circulação na atual ponte é apontada como um dos principais constrangimentos rodoviários da região, agravado quando ocorrem acidentes, avarias ou obras.
Baião reclama segunda fase da ligação à Ponte Ermida

Baião aproveitou ainda a inauguração para insistir na segunda fase da ligação de Baião à Ponte Ermida, depois de a primeira fase ter sido executada.
Ana Raquel Azevedo lembrou que a intervenção está identificada entre os investimentos rodoviários prioritários do Governo e defendeu que “a população não pode voltar a esperar décadas por uma ligação” que considera “essencial” para o concelho.
O secretário de Estado confirmou que o Governo “mantém essa intervenção no âmbito dos investimentos previstos”, sublinhando que a execução das obras “depende de um processo de planeamento e definição de prioridades”.
PRR financiou intervenção
A obra agora inaugurada foi concretizada no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), através da componente dedicada aos Missing Links e ao aumento da capacidade da rede rodoviária.
De acordo com as Infraestruturas de Portugal, “os investimentos rodoviários previstos no PRR permitiram intervir em 154 quilómetros de estrada, acima dos 111 quilómetros inicialmente previstos, num investimento global de cerca de 508 milhões de euros provenientes da União Europeia”.

Hugo Espírito Santo destacou ainda a intenção do Governo de manter um nível elevado de investimento em infraestruturas na região do Tâmega e Sousa, apontando para cerca de mil milhões de euros de investimento através da Infraestruturas de Portugal até 2028.
A inauguração do troço da EN211 representa, assim, não apenas a conclusão de uma obra há muito reivindicada, mas também a abertura de uma nova frente de discussão sobre as acessibilidades de uma região que continua a reclamar melhores ligações aos principais eixos rodoviários e aos serviços de referência.
Cinfães quer ligação a Mesquinhata
Na inauguração, o presidente da Câmara de Cinfães, Carlos Cardoso, aproveitou a presença do secretário de Estado das Infraestruturas para reivindicar uma nova ligação entre Mesquinhata e Cinfães, com cerca de cinco a seis quilómetros.

O autarca defendeu que a obra permitiria “aproximar Cinfães” dos principais eixos rodoviários, “uma necessidade” que considera particularmente “relevante para o concelho”. Carlos Cardoso revelou ainda que já “apresentou ao Governo um estudo para esta ligação, com uma solução que passaria pela barragem do Carrapatelo, aproveitando a plataforma existente e evitando, dessa forma, a construção de algumas obras de arte”.
Hugo Espírito Santo respondeu que a proposta “será estudada, para avaliar a sua viabilidade e o interesse da ligação” para o território.




