Autarquias reforçam meios para prevenir incêndios com nova maquinaria

Oito municípios recebem um trator para reforçar a gestão de combustível e a prevenção dos incêndios rurais.

Oito municípios receberam um trator cada para reforçar a capacidade de intervenção na gestão de combustível e na prevenção dos incêndios rurais. A entrega da maquinaria decorreu esta manhã, em Amarante, numa sessão que juntou o Governo, o ICNF e representantes dos municípios de Amarante, Baião, Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto, Felgueiras, Marco de Canaveses, Vila Nova de Famalicão e Vizela.

Os equipamentos destinam-se sobretudo à limpeza de faixas secundárias de gestão de combustível, bermas, caminhos e estradas, permitindo às autarquias aumentar a capacidade de intervenção direta no território e reforçar os meios disponíveis para a prevenção.

Na sessão, o presidente da Câmara de Amarante, Jorge Ricardo, destacou a importância do reforço de meios para um concelho onde cerca de 70% dos 30 mil hectares de território são espaços florestais.

“A dimensão da nossa mancha florestal, as características do terreno e as condições meteorológicas que temos vindo a enfrentar tornam indispensável uma política de prevenção permanente, com planeamento, investimento e capacidade de intervenção no terreno”, afirmou.

O autarca lembrou que Amarante registou 129 ocorrências e mais de 1.500 hectares de área rural ardida em 2024. No ano passado, foram contabilizadas cerca de 90 ocorrências e aproximadamente 600 hectares de área ardida.

“Estes números apenas demonstram que a prevenção tem de ser um trabalho realizado durante todo o ano, de forma planeada e continuada”, defendeu.

Através de um protocolo com a Associação Florestal Entre Douro e Tâmega, o município já intervencionou cerca de 200 hectares de faixas de combustível ao longo da rede rodoviária sob sua responsabilidade. Contabilizando as intervenções realizadas pelo município, por outras entidades com responsabilidades na gestão florestal e por proprietários privados, são cerca de 800 hectares intervencionados no concelho.

Jorge Ricardo considerou que a nova maquinaria representa um reforço importante da capacidade de resposta das autarquias.

“São equipamentos que permitirão melhorar a execução dos trabalhos de gestão de combustível e de manutenção do território e dar melhores condições aos ativos que diariamente trabalham na prevenção”, afirmou.

O presidente da Câmara de Amarante defendeu ainda uma intervenção articulada entre municípios, ICNF, juntas de freguesia, baldios, proprietários e produtores florestais, associações florestais, bombeiros, GNR e restantes agentes do território.

Governo investiu 80 milhões de euros em equipamentos

Na mesma cerimónia, o ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, revelou que o Governo destinou 80 milhões de euros à aquisição de equipamentos para a prevenção de incêndios.

O investimento inclui maquinaria para as comunidades intermunicipais, equipamentos para sapadores florestais e um programa de 30 milhões de euros dirigido a pequenas e médias empresas.

“Só em equipamentos são 80 milhões de euros que nós investimos com o objetivo da prevenção”, afirmou.

Questionado sobre a chegada dos tratores já em setembro, o ministro explicou que os equipamentos não estavam disponíveis em stock e que o processo de aquisição sofreu atrasos relacionados com a contratação pública e litigância.

“Os tratores não estão em stock, portanto houve uma demora, às vezes também há litigância, o que também aconteceu, um concurso que teve de ser repetido”, explicou.

Ainda assim, José Manuel Fernandes salientou que a prevenção é uma tarefa permanente e que os equipamentos serão igualmente utilizados na preparação do próximo ano.

“Nós já estamos a trabalhar também para o próximo ano e a prevenção faz-se durante o tempo todo”, afirmou.

Segundo o ministro, mais de 200 tratores foram disponibilizados aos municípios que quiseram receber equipamento para a gestão das faixas secundárias, limpeza de bermas, caminhos e estradas.

A estratégia inclui ainda máquinas de rastos para as comunidades intermunicipais, mais de dois mil equipamentos para sapadores florestais e meios destinados às empresas privadas, com o objetivo de aumentar a mecanização dos trabalhos perante as dificuldades de mão de obra.

Fogo controlado e pastorícia para reduzir combustível

José Manuel Fernandes defendeu igualmente um reforço do recurso ao fogo controlado nas áreas consideradas mais críticas.

“Nós temos de fazer mais fogo bom. Fogo controlado. Temos que avançar”, afirmou, acrescentando que as zonas prioritárias são identificadas através de dados científicos da Proteção Civil e do ICNF.

O Governo destinou ainda 30 milhões de euros à pastorícia extensiva, considerada uma ferramenta de prevenção por permitir reduzir a carga de combustível e, simultaneamente, manter pessoas no território e criar atividade económica.

Área ardida caiu 75%

Até ao momento, foram contabilizados cerca de 67 mil hectares de área ardida, contra aproximadamente 260 mil hectares em 2025, uma redução de cerca de 75%.

“Não deitámos foguetes antes da festa”, advertiu o ministro, lembrando que a época de incêndios ainda não terminou e que as temperaturas continuam elevadas.

José Manuel Fernandes atribuiu a melhoria a uma combinação entre prevenção e capacidade de combate, destacando o trabalho da Proteção Civil, bombeiros e estruturas do Ministério da Administração Interna.

“Ainda há muito trabalho a fazer nesse sentido”, afirmou, alertando para o impacto das alterações climáticas. “Isto de pensar que a época de incêndios é uma época, já não é bem a época que tínhamos”, concluiu.

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