Maestro será o comissário da candidatura a Capital Portuguesa da Cultura 2028, assente no lema “O lugar do génio, o génio do lugar”
O maestro Martim Sousa Tavares é o comissário da candidatura de Amarante a Capital Portuguesa da Cultura 2028. O nome foi apresentado pelo município no Lugar da Saudade, espaço dedicado a Teixeira de Pascoaes, com a promessa de uma candidatura construída a partir do património cultural da cidade, mas também orientada para a criação contemporânea e para a descoberta de novos talentos.

“O lugar do génio, o génio do lugar” é o lema escolhido para o projeto. A expressão pretende ligar as figuras que marcaram a história cultural de Amarante às comunidades, tradições e criadores que hoje dão continuidade à identidade cultural do concelho.
Martim Sousa Tavares explicou que a candidatura não pretende limitar-se à celebração de nomes consagrados. “Queremos continuar a celebrar o génio destes grandes nomes, mas também procurar os génios que estão em Amarante hoje”, afirmou, defendendo uma programação que permita identificar novos criadores e aproximar a população das diferentes formas de expressão artística.
O programa deverá abranger áreas como música, dança, artes plásticas e cinema, combinando espetáculos, exposições e conferências com iniciativas nas escolas, freguesias e comunidades. A intenção é levar a cultura para além dos espaços culturais convencionais e envolver os habitantes na própria programação.
A candidatura parte também da identidade coletiva de Amarante. A cidade integra a Rede de Cidades Criativas da UNESCO na área da música, uma distinção relacionada com tradições e expressões musicais como a Viola Amarantina e os bombos. Segundo o comissário, essas manifestações terão lugar no projeto enquanto património construído pela comunidade e não apenas associado a figuras individuais.
“Não podemos só celebrar os génios individuais, temos que celebrar o lugar genial que é Amarante”, sustentou Martim Sousa Tavares, acrescentando que a candidatura pretende valorizar o património e, simultaneamente, criar condições para que novos projetos culturais possam nascer e desenvolver-se no concelho.

O presidente da Câmara de Amarante, Jorge Ricardo, enquadrou a candidatura num objetivo mais abrangente: definir uma estratégia cultural para a próxima década. “O que nós queremos com esta candidatura é termos um plano estratégico daquilo que é o plano cultural de Amarante para os próximos anos, para os próximos 10 anos”, afirmou.
O autarca destacou ainda o investimento realizado pelo município em equipamentos culturais, – Cine Teatro, Casa da Memória, Museu Amadeo Souza-Cardoso, Mosteiro S. Gonçalo, etc -, considerando que essa rede cria condições para uma programação mais ambiciosa. Entre os espaços referidos estão equipamentos recentemente intervencionados ou valorizados, que poderão integrar a estratégia cultural da candidatura.
A preparação do projeto tem envolvido instituições e agentes culturais locais, segundo o município. Martim Sousa Tavares afirmou que foram auscultadas entidades e associações para identificar projetos que gostariam de concretizar e que ainda não tiveram oportunidade de desenvolver.
“Esta é uma candidatura feita a muitas mãos”, resumiu o maestro, que considera que o processo deve deixar resultados para além de 2028. A candidatura, disse, está pensada como um processo de transformação do ecossistema cultural local, independentemente do resultado da seleção.
Jorge Ricardo salientou igualmente o envolvimento de diferentes entidades na preparação do projeto e apontou o apoio dos municípios da Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa, bem como de outras instituições regionais e nacionais.
Para Martim Sousa Tavares, a eventual escolha de Amarante como Capital Portuguesa da Cultura deverá ser encarada como um ponto de chegada de um caminho já iniciado, mas também como o início de uma estratégia de longo prazo. “A festa não acaba no dia 31 de dezembro de 2028”, afirmou, defendendo que o objetivo é criar um modo de viver e trabalhar a cultura na cidade que permaneça depois desse ano.




